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FÓRUM DE MERCADO IV: Produtores aguardam definição da safra dos EUA para decidir sobre comercialização, diz André Pêssoa

 

“É importante pontuar o momento. O agronegócio é tão dinâmico que às vezes a gente nem resolveu um problema e já estamos preocupados com o próximo, então, tenho certeza de que a maior preocupação no momento é com a safra 2022/2023, com o adubo, com o defensivo, enfim, com os possíveis desafios do próximo ciclo”, disse o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessôa, ao ministrar palestra para as cooperativas do Paraná sobre os cenários de soja, milho e carnes. Foi na última sexta-feira (08/10), no Fórum de Mercado promovido pelo Sistema Ocepar, transmitido por meio da plataforma Microsoft Teams. André Pessôa é engenheiro agrônomo, mestre em Economia Aplicada pela ESALQ/USP, especialista em análise de mercados agrícolas e de política agrícola. 

 

Clima - Se o clima foi uma grande preocupação na última safra, ao menos agora os produtores podem respirar mais aliviados, já que não há sinalização de problemas climáticos graves nas regiões produtoras do país. Portanto, crescem as chances do Brasil confirmar uma safra cheia, em torno de 144 milhões de toneladas de soja. “A expectativa em relação ao comportamento do clima, associada ao alto padrão de tecnologia adotado pelos produtores brasileiros, aponta para uma produção de 60 sacas por hectares, em média, o que é um novo recorde”, pontuou André Pêssoa. Segundo ele, esse volume pode produzir um efeito positivo para o ano que vem na indústria e no aumento do consumo interno, estimado em 4%. “Além disso, podemos bater um recorde de exportação de soja em grão, ultrapassando, pela primeira vez num ano calendário, a barreira dos 90 milhões de toneladas exportadas”, estimou.   

 

Comercialização - A indicação de safra cheia, no entanto, ainda não refletiu no ritmo de comercialização. “Até o momento, 50% da soja do Mato Grosso está comercializada, volume esse que já cobre o custo, mas no Sul do Brasil, a gente vê que o volume comercializado ainda nem sequer cobre o custo. No ano passado, nessa mesma época do ano, a comercialização da soja estava em torno de 40%, e este ano não chega a 30%. Muitos produtores estão aguardando uma definição da safra americana e do andamento no plantio no Brasil para decidir sobre a comercialização, ou seja, ainda tem muita soja para ser vendida”, comentou.  

 

Custo de produção - Na conversa com os cooperativistas paranaenses, André Pêssoa ainda abordou questões cruciais para o mercado agrícola, como crescimento no custo de produção, puxado pelo aumento dos preços dos fertilizantes e da operacionalização de máquinas agrícolas, bem como do aumento do custo da mão de obra. “Mas quando se pensa nos preços internacionais e que haverá uma recuperação da produtividade, porque a implantação da lavoura não está ocorrendo nas mesmas condições do ano passado, então, basicamente a rentabilidade ainda será grande. Em quase todas as regiões a rentabilidade não diminui de forma expressiva”, afirmou o especialista. 

 

Estados Unidos - Ainda sobre soja, André Pêssoa faltou que a safra dos Estados Unidos já está 1/3 colhida, e que a expectativa é de aumento da produção americana.  “Nós, da Agroconsult, tínhamos uma expectativa abaixo de 118 milhões de toneladas, enquanto o USDA falava em 119 milhões de toneladas. Mas esse volume ainda não será suficiente para recuperar os estoques baixos do país. Isto significa que os americanos devem exportar um pouco menos de soja. Eles fecharam o último ano agrícola com 61,5 milhões de toneladas de soja exportadas e no próximo devem vender  55 milhões. É outro patamar de exportação”, disse.  

 

Milho - Em relação ao milho, o aumento na produção na safra de verão e o baixo ritmo de venda antecipada do milho safrinha, acendem o sinal amarelo para a comercialização do cereal no próximo ano. Segundo André Pessôa, as perspectivas de aumento da safra é alívio para a indústria de proteínas, no entanto, isto representa um risco de queda na curva de preços futuros. A estimativa da Agroconsult é que o preço da saca mantenha o ritmo de crescimento até janeiro de 2022, podendo chegar a R$ 93,00, mas depois a curva comece uma trajetória de queda, podendo chegar a R$ 79,00 em julho do próximo ano.  Pessôa ainda lembrou que no Mato Grosso uma parcela da safra de inverno futura já comercializada, “talvez um terço da colheita prevista”, mas em outras praças produtoras, como a região Sul, o sul de Mato Grosso do Sul e São Paulo, “não tem praticamente nada do milho safrinha comercializado até agora”. Isto significa que mais produto para comercializado no futuro, isto preocupada tendo em vista o tamanho da safra que o brasil pode vir a colher em 2022”.

 

Carne - Outro tema da palestra, a carne suína, Pêssoa focou no mercado chinês. Ele lembrou que a China está num processo de ajuste de produção, já que houve uma queda acentuada em função da peste africana, que acabou por diminuir de 700 milhões de cabeças de suínos alojadas para 400 milhões. “Mas ao final da safra 2018/2019 e depois no ciclo 2020/2021, o mercado chinês conseguiu se recuperar, aumentando o rebanho interno. Porém, o país já havia aumentado a importação para compensar a menor produção doméstica. O resultado disso é uma queda acentuada dos preços dos suínos no mercado chinês, com uma derrubada das margens dos produtores internos”, contou. 

 

 

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