NEGÓCIOS: Inovação avança, mas ainda falta competitividade

negocios 07 10 2013A propagação da inovação como fator de competitividade e diferenciação dos negócios criou um ambiente empresarial receptivo às atividades de pesquisa e desenvolvimento no Brasil. Desde 2000, o volume de investimentos e o número de projetos registraram crescimento significativo. Segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, os valores anuais aplicados em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil saltaram de R$ 12 bilhões (2000) para R$ 50 bilhões (2011), somando os investimentos públicos e privados. A evolução é importante, mas ainda não foi capaz de tornar as empresas brasileiras - salvo alguns exemplos - mais competitivas no mercado internacional.

Lacunas - Apesar do crescente volume de aportes financeiros, existem lacunas importantes nos processos corporativos e na questão da gestão da inovação - matéria que invadiu o terreno da administração e passou a integrar os programas de capacitação de empreendedores no Brasil.

Ideias - "Quando falamos em inovação, pensamos em profissionais envolvidos com o desenvolvimento de produtos e eles, muitas vezes, acreditam que só boas ideias bastam para obter sucesso no mercado", argumenta Geciane Silveira Porto, coordenadora do Núcleo de Pesquisas em Inovação, Gestão Empreendedora e Competitividade (Ingtec) da Universidade de São Paulo (USP).

Treinamentos - A professora comandou uma série de treinamentos oferecidos por meio do Programa Gestão para o Empreendedorismo Inovador - financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A ação promoveu cursos em todo o país e atendeu mais de 400 empreendedores. "Constatamos que ainda há dificuldade em utilizar ferramentas de administração no processo inovador", comenta Geciane.

Gestão - Para ela, problemas de gestão são os grandes responsáveis pelo fracasso dos empreendimentos, em suas diferentes etapas. "Não dá para ser empresário meio período. O empreendedor precisa elaborar planos de negócios eficientes para alcançar objetivos, conseguir financiamento para a pesquisa e desenvolvimento e oferecer produtos que fazem sentido à demanda dos consumidores", afirma ela.

Livro - Para facilitar o acesso a informações e técnicas de gestão da inovação, Geciane organizou o livro "Gestão da Inovação e Empreendedorismo" (Editora Campus-Elsevier, 364 páginas, R$ 89,90). A obra traz textos exclusivos dos professores envolvidos nos ciclos e está dividido em cinco grandes blocos (inovação, empreendedorismo, propriedade intelectual, transferência de tecnologia e elaboração de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação). "Publicamos um material acessível e de fácil leitura, voltado para pesquisadores e empreendedores de negócios de base tecnológica", afirma.

Etapa fundamental - Preparar os empresários e pesquisadores brasileiros é etapa fundamental no processo de transferência de conhecimento acadêmico ao mercado. E os dados e discussões levantados no livro mostram que o Brasil tem potencial de sobra para avançar com produtos inovadores.

Envolvimento - De acordo com relatório do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), 27 milhões de brasileiros (um quarto da população entre 18 e 64 anos) estão envolvidos com empreendedorismo, sendo proprietários ou administradores de negócios iniciantes ou com mais de três anos e meio de experiência. A evolução do empreendedorismo de base tecnológica é percebida pelo número crescente de incubadoras. Em 2011, o Brasil registrou 384 incubadoras em operação, onde atuam mais de 2.600 empresas. Do total de empresas instaladas em incubadoras, 98% inovam.

Mercado externo - A professora Simone Vasconcelos Ribeiro Galina, uma das autoras do livro, lembra a importância em estudar o mercado externo, uma vez que é baixo o interesse do empreendedor brasileiro em internacionalizar a operação e exportar seus produtos. "Temos um mercado consumidor interno pujante. O problema é que ele é novo e pouco exigente, limitando as ações de inovação", explica Simone.

Comportamento passivo - Para ela, o comportamento passivo deve ser combatido para que as empresas brasileiras não percam competitividade. "Os passos dados na internacionalização mostram ao empreendedor a necessidade de aprimorar produtos e processos. A busca por diferencial inovador tem de levar em conta as exigências de consumidores mais sofisticados", comenta Simone. Ao olhar para outros mercados, os empresários podem encontrar oportunidades de melhoria constante ou encarar as exigências como obstáculos intransponíveis para os seus negócios.

Guia prático - Além da abordagem sobre empreendedorismo e a competitividade global, o livro traz um guia prático para a montagem de planos de negócios e inclui um capítulo sobre as estratégias para conseguir financiamento para projetos de inovação, incluindo os caminhos para o capital de risco. "Os projetos de pesquisa e o desenvolvimento inicial de produtos têm instrumentos públicos de financiamento, o problema ainda está na construção de planta-piloto e no lançamento dos produtos no mercado - etapas que constituem o chamado vale da morte da inovação", destaca Geciane.

Estrutura - Para conquistar dinheiro nesta fase do projeto, a empresa precisa estar bem estruturada, ter todos os orçamentos, além dos planos e números organizados. Saber o que vai vender, como e onde oferecer e também o público-alvo. "O capital de risco só aposta em quem tem um plano completo. Por isso, a gestão torna-se o fator primordial para a continuidade dos projetos", finaliza a organizadora do livro. (Valor Econômico) 

 

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