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ECONOMIA I: BNDES vê crescimento de 2,5% a 3% sem gerar inflação

economia I 04 05 2018A economia brasileira tem condições de crescer a um ritmo de 2,5% a 3% nos próximos cinco anos sem que isso leve ao surgimento de maiores pressões inflacionárias, segundo estudo do Departamento Econômico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Num cenário de recuperação moderada, puxada pelo investimento, não há motivos para se temer o esgotamento brusco da capacidade ociosa em 2019 ou 2020, afirma o economista-chefe do banco, Fabio Giambiagi.

Inflação e juros - Para ele, isso indica que a inflação e os juros podem ficar em níveis baixos por um longo período, desde que se adotem medidas para equilibrar as contas públicas e aumentar a produtividade. Giambiagi destaca também que um crescimento sustentado de 4% a 5% ao ano "está fora do radar nos próximos anos por total inviabilidade". A taxa de investimento ainda é baixa e a produtividade cresce pouco.

Cenário - No estudo, Giambiagi e o economista Guilherme Tinoco traçam um cenário para o crescimento da economia brasileira de 2018 a 2023. Considerando uma expansão do PIB de 2,5% neste ano, os dois definiram uma trajetória de aceleração gradual da atividade, que leve ao término da ociosidade no fim desse período. Na média dos cinco anos, o PIB cresceria 2,9%, atingindo 3,4% em 2023. O investimento, por sua vez, avançaria 6% em 2018 e 7% anuais no intervalo restante.

Hiato - O estudo considera um hiato do produto (uma medida de ociosidade na economia) de 4,5%, um número que Giambiagi diz ser conservador. O hiato mostra a diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial (aquele que não causa pressões inflacionárias). "Não há nenhuma hipótese heroica nas simulações", diz o economista-chefe do banco. Para a produtividade total dos fatores (PTF, que mede a eficiência com que capital e trabalho se transformam produção), a estimativa é de que um ritmo de crescimento que acelera de 0,5% ao ano em 2018 para 1% em 2023.

Espaço - Para Giambiagi, os números mostram que há espaço para um crescimento moderado e firme sem que isso leve a pressões inflacionárias relevantes. Segundo ele, a economia brasileira tem vários riscos e desafios pela frente, como a delicada situação fiscal, mas há uma combinação de fatores que pode permitir um cenário de inflação e juros baixos por vários anos.

Continuidade - Para que se concretize esse cenário de taxas em níveis menores, é fundamental a continuidade do programa de reformas, ressalta o estudo. Entre as medidas, Giambiagi e Tinoco citam a maior abertura da economia, a obediência ao teto de gastos e a realização de uma reforma da Previdência em 2019. Isso seria consistente com novas quedas dos juros reais (descontada a inflação) de longo prazo. As taxas de cinco anos, que ficam em média em 5,8% em termos reais durante 2016 e 2017, poderiam cair para 3% em 2023.

Crescimento potencial - Ao mesmo tempo, Giambiagi diz que taxas de crescimento sustentado de 4% a 5% são "irrealistas no horizonte contemplado no estudo". No relatório, o crescimento potencial aumenta de 1,7% em 2018 para 2,6% em 2023. A taxa de investimento, por sua vez, passaria de 16,1% para 19,5% do PIB no período. "Seria difícil sustentar, em meados da próxima década, taxas de variação do PIB maiores que 3% ao ano, a não ser que o investimento ou a PTF crescessem mais fortemente", afirma o estudo. "Isso exigiria uma mudança tecnológica mais intensa, combinada com melhoras expressivas do capital humano e maiores efeitos positivos da infraestrutura."

PIB per capita - No cenário-base desenhado por Giambiagi e por Tinoco, o PIB per capita cresceria a uma média de 2,3% até 2023, enquanto o desemprego recuaria gradualmente. A taxa cairia de uma média de 12,7% em 2017 para 8,2% em 2023.

Taxas - Giambiagi nota que a expectativa é de "recuperação progressiva" da renda per capita, ainda que a taxas inferiores aos "bons anos da década passada". O ponto é que o PIB tende a crescer a taxas "progressivamente maiores", ao mesmo tempo em que a taxa de crescimento populacional declina, observa ele.

Transição demográfica - Giambiagi enfatiza também a transição demográfica como um dos desafios enfrentados pelo Brasil. O envelhecimento populacional torna premente uma reforma da Previdência, num país em que os gastos com aposentadorias já são elevados.

Menos trabalhadores - Em 2010, havia mais de oito pessoas em idade de trabalhar para cada idoso, relação que cairá para perto de dois em 2060, nota o estudo. Em resumo, haverá muito menos trabalhadores contribuindo com as aposentadorias dos mais idosos.

Impacto - A demografia também tem impacto sobre a capacidade de crescimento do país. No cenário de referência do estudo, o PIB potencial médio é de 2,2% entre 2018 e 2023. Parte das dificuldades para alcançar taxas mais elevadas se deve a fatores demográficos, diz Giambiagi. A população entre 20 e 64 anos, que crescia a 2,41% em 2001, deve aumentar apenas 1,13% neste ano, 1,01% em 2020 e 0,81% em 2023. É uma expansão cada vez mais lenta da população em idade de trabalhar, o que limita a capacidade de a economia avançar a taxas mais fortes. (Valor Econômico)

 

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