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MERCADO II: China quer impor política de preços para retirar tarifa, diz fonte

mercado II 08 06 2018A aplicação da tarifa antidumping da China contra a carne de frango do Brasil, oficializada no fim da noite desta quinta-feira (07/06) pelo Ministério do Comércio da China (Mofcom), é parte de um esforço de Pequim para impor uma política de preços ao produto importado do país, afirmou ao Valor uma fonte a par do assunto. A sobretaxa chinesa, que começa a valer neste sábado (09/06), varia de 18,8% a 38,4%.

Piso e teto- A intenção de Pequim é estabelecer um piso e um teto para a cotação do produto, favorecendo o pleito dos produtores de frango da China (que se sentem lesados pela entrada do produto brasileiro). Os exportadores brasileiros ainda não conhecem os detalhes da proposta, mas consideram aceitar o pedido de Pequim.

Retirada - “Se as empresas se comprometerem, eles retiram a tarifa”, disse a mesma fonte. Para os exportadores brasileiros, sobretudo grandes empresas como BRF e Seara (JBS), a decisão chinesa é bastante problemática. À tarifa antidumping de Pequim, se somam a outros muitos graves problemas enfrentados pelas agroindústrias de aves.

Margens apertadas- O segmento iniciou 2018 já sofrendo com margens apertadas, fruto da forte alta dos preços do milho e da queda do preço da carne de frango em razão da superoferta. Em março, veio a Operação Trapaça, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A investigação provocou o embargo da União Europeia a 20 abatedouros do país — a BRF teve 12 plantas vetadas pelos europeus. Mais recentemente, a avicultura foi o setor do agronegócio mais afetado pela greve dos caminhoneiros. “É um 7 a 1 a cada dez minutos”, ironizou outra fonte do setor.

Expectativa - A expectativa dos exportadores brasileiros é que, ao menos no primeiro momento, o Brasil não perca repentinamente o mercado chinês ainda que a rentabilidade seja seriamente afetada. Atualmente, cerca de 80% do frango importado pela China é produzido no Brasil e ainda não há grandes alternativas de abastecimento para Pequim. Mas isso pode mudar.

EUA - Recentemente, a China retirou a tarifa antidumping que aplicava contra o frango dos EUA, principal concorrente do Brasil no mercado internacional. No entanto, os americanos ainda estão proibidos de vender aos chineses desde 2015 porque Pequim barrou o frango americano em razão de um surto de gripe aviária. Em tese, a China poderia derrubar esse veto sanitário porque o surto de gripe aviária já foi debelado. “Se derrubarem, teria mais concorrência mesmo, mas é cedo para pensar nisso”, argumentou uma fonte.

Relevante - Do ponto de vista brasileiro, o mercado chinês é extremamente relevante. Trata-se do terceiro maior importador do produto nacional, só atrás de Arábia Saudita e Japão. No ano passado, a China gastou cerca de US$ 760 milhões para importar 391 mil toneladas de carne de frango do Brasil, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura do Brasil. Com isso, os chineses responderam por cerca de 10% das exportações.

Venda- Como um todo, os exportadores brasileiros venderam 4,2 milhões de toneladas para a China, obtendo US$ 7,1 bilhões no ano passado, segundo o Ministério da Agricultura.

Características - Além dos expressivos volume e faturamento das exportações, o mercado chinês também é particularmente importante para o setor pelas características dos produtos que compra. A China é uma contumaz importadora de pés de frango, um corte pouco demandado no Brasil. Para as indústrias brasileiras, ter o mercado chinês cativo significava dar um destino para um produto que, antes, acaba virando ração. (Valor Econômico)

 

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