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ENTREVISTA: IBGE mira melhora de dados após acordo tecnológico com BID

 

entrevista 07 06 2019O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) fecharam um acordo de cooperação técnica, a ser formalizado nos próximos dias, com o objetivo de avançar a tecnologia de coleta, supervisão e avaliação de dados do instituto, por meio de ferramentas como aplicativos, plataformas on-line e de telefonia celular.

 

Informação - A informação é da presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, em entrevista ao Valor. Ela diz que o acordo inédito é fruto de uma reunião entre ela e o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, e contou com o apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes. Os valores dessa parceria ainda estão sendo negociados, mas Guerra reforça que o foco é a transferência de conhecimento tecnológico ao IBGE.

 

Vantagem - "A vantagem é conseguir caminhar com mais força para melhorar a abordagem ao cidadão. Esse é um dos grandes desafios da operação de campo do censo e de outras pesquisas do IBGE, a abordagem ao cidadão. Isso cria uma alternativa para o cidadão poder compartilhar seus dados e uma facilidade para conseguir participar dessas pesquisas de diferentes formas", diz ela.

 

Parceria - A parceria será renovada de acordo as demandas, mas deve durar até o fim do Censo Demográfico 2020, que vai a campo de agosto a outubro do ano que vem. O Censo 2020 será, inclusive, a primeira operação em que essas formas alternativas de coleta, supervisão e avaliação de pesquisas devem ser testadas, de modo a depois serem replicadas em outras pesquisas.

 

Cruzada - No cargo há pouco mais de cem dias, Guerra, de 37 anos, fez uma cruzada pela redução do questionário do censo, com foco na melhoria da qualidade da pesquisa. A ideia é que, ao reduzir o tempo gasto por domicílio, cada recenseador poderá realizar mais tentativas de abordagem aos lares nos quais não foram anteriormente recebidos, melhorando a cobertura do censo. A pesquisa passou de 112 questões para 76 perguntas.

 

Desafio crescente - Esse acesso aos lares tem sido apontado como um desafio crescente para o Censo 2020. Com medo da violência, as famílias tenderiam a ser mais resistentes a receber os recenseadores. Além disso, o tempo de atenção das pessoas seria menor.

 

Formas alternativas - Neste sentido, as formas alternativas de coleta que serão testadas a partir da parceria podem auxiliar o IBGE a buscar novas abordagens. "O foco principal [para o censo] é desenvolver soluções para avançar numa coleta de dados por meio de uma plataforma on-line", diz a presidente do IBGE.

 

Atraso - Guerra reconhece que o instituto está atualmente atrás de outros países em termos de tecnologia, após um salto inicial promovido pelo Censo 2010, quando os recenseadores utilizaram dispositivos móveis para coletar eletronicamente os dados, infraestrutura que possibilitou agilidade na apuração dos dados.

 

Redução do orçamento - Em paralelo a tudo isso, o IBGE estuda formas de reduzir o orçamento do censo para R$ 2,3 bilhões, dos R$ 3,1 bilhões inicialmente previstos. Essa redução foi estipulada a partir de consultas ao Ministério da Economia e ao Tesouro Nacional, diante das restrições fiscais do país. Em outra entrevista ao Valor, há um mês, Guerra garantiu que o corte do questionário não tem relação com o orçamento.

 

Valor: Qual é o objetivo da parceria do IBGE com o BID?

Susana Cordeiro Guerra: Estamos fechando um acordo de cooperação técnica com o BID para contribuir para avanços tecnológicos na coleta, supervisão e avaliação de dados do IBGE.

 

Valor: A senhora poderia detalhar como será esse acordo?

Guerra: Ele tem três componentes. O primeiro é ter uma melhoria em formas alternativas de coleta de dados através de novas tecnologias, como plataformas on-line, aplicativos, plataformas de telefonia celular. O segundo componente seriam formas mais eficientes de se coletar o mesmo dado, com foco, neste caso, em dados de mobilidade. E o terceiro componente é avançar no armazenamento e no processamento de grandes volumes de dado, através do "big data". Ir

avançando nessa linha. A ideia é realmente por meio dessa cooperação técnica dar um salto tecnológico na nossa coleta, supervisão e avaliação de pesquisa de campo.

 

Valor: Existe um prazo de duração da cooperação com o BID?

Guerra: A parceria começa na semana que vem e vai ser renovada de acordo com as demandas, mas a princípio até o fim da operação censitária. A parceria é diretamente com o BID em Washington. Eu tive uma reunião com o presidente do BID, Luís Alberto Moreno, e ele apoiou nosso projeto e nossa estratégia e visão para o IBGE, e o ministro Paulo Guedes também.

 

Valor: Há valores envolvidos?

Guerra: É uma cooperação técnica, então é uma transferência de conhecimento, e esses valores ainda estão sendo negociados. É a primeira vez que é feito um acordo focado com o BID, focado em tecnologia.

 

Valor: O IBGE vai ter um aplicativo próprio para coletar os dados. Vai usar outros aplicativos existentes de coleta de dados?

Guerra: Vai ser uma mistura. Estamos em uma fase em que vamos avaliar e testar diferentes soluções e ver quais vão ter um desempenho melhor. É uma competição para testar diferentes soluções de tecnologia e ver quais funcionam melhor no campo.

 

Valor: As ferramentas tecnológicas são do próprio BID ou ele vai contratar empresas desenvolvedoras dessas tecnologias?

Guerra: Isso vai ser desenvolvido em conjunto.

 

Valor: No caso de uma pesquisa por amostra, o IBGE teria a possibilidade de evitar uma visita ao domicílio e coletar os dados por telefone, por aplicativo?

Guerra: É isso que queremos estudar: formas alternativas de coleta, supervisão e avaliação de pesquisas de campo. Isso inclui tanto alternativas que poderiam ser testadas dentro do censo e depois replicadas em outras pesquisas da casa. 

 

Valor: O censo seria então o primeiro teste dentro do acordo de cooperação?

Guerra: Esse acordo também vislumbra trabalho e formas alternativas de coleta para o censo, faz parte também. No caso do censo, o foco principal é desenvolver soluções para avançar numa coleta de dados através de uma plataforma on-line.

 

Valor: Qual a vantagem das ferramentas? Custo, acesso a informações mais facilmente?

Guerra: A vantagem é conseguir caminhar com mais força para melhorar a abordagem ao cidadão. Este é um dos grandes desafios da operação de campo do censo e de outras pesquisas do IBGE, a abordagem ao cidadão. Isso cria uma alternativa para o cidadão poder compartilhar seus dados e uma facilidade para conseguir participar dessas pesquisas de diferentes formas.

 

Valor: E como seria isso na prática, para chegar ao cidadão. Como a pessoa saberia que precisa baixar o aplicativo, por exemplo?

Guerra: Esse protocolo de abordagem está sendo estudado. Estamos estudando e analisando diferentes formas de publicidade, de abordagem, de aproximação com o cidadão. Todas essas formas envolveriam e teriam o objetivo de criar uma maior simplicidade e agilidade nessa operação de campo.

 

Valor: Outros países estão mais avançados do que o Brasil em tecnologia nesse sentido?

Guerra: Sim, estão. Muitos deles têm as tecnologias. (Valor Econômico)

 

 

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