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ECONOMIA II: IPCA tem forte queda, mas segue acima da inflação de países da AL

 

economia II destaque 30 07 2019Na visão de boa parte dos economistas, a inflação do Brasil está em nível confortável e propício para que o Banco Central comece a cortar os juros já na reunião desta terça e quarta-feira (30 e 31/07) do Comitê de Política Monetária (Copom). Mesmo tendo desacelerado bastante, porém, ela segue mais alta do que em três de quatro de seus pares latino-americanos que adotam metas inflacionárias e mostram desempenho econômico mais forte.

 

Preços ao consumidor - Segundo cálculos de Alberto Ramos, chefe de pesquisa para a região do Goldman Sachs, os índices de preços ao consumidor subiram, em média, 3% no Chile, na Colômbia, no México e no Peru, considerando os 12 meses encerrados em junho. No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 3,37%. No Chile e no Peru, a inflação foi de 2,3%.

 

Motivos - Entre os motivos para a inflação um pouco maior aqui, mesmo com grande ociosidade, economistas apontam a meta inflacionária mais elevada, a baixa produtividade e o menor grau de abertura comercial.

 

México - Dos quatro países, o único que registra inflação superior à brasileira é o México, onde o índice aumentou 3,9% no ano encerrado em junho, acima da meta perseguida pelo BC do país, de 3% ao ano. Colômbia e Chile têm 3% como alvo central, enquanto o Peru mira variação de preços de 1% a 3%. Argentina e Venezuela ficaram de fora da amostra por não usarem o regime de metas.

 

Itens voláteis - Não só a "inflação cheia" no Brasil segue mais alta. Também à exceção do México, os núcleos - que excluem ou reduzem o impacto de itens voláteis - estão em nível maior por aqui. A média dos três núcleos mais acompanhados pelos analistas e pelo BC subiu 3,2% nos 12 meses até junho. No Chile, Peru e Colômbia, os núcleos ficaram em 2,1%, 2,3% e 3%, pela ordem.

 

Serviços - Já a inflação de serviços brasileira recuou mais de cinco pontos percentuais entre seu pico - de 9,2%, atingido em junho de 2014 - e junho de 2019, quando marcou 3,95% em 12 meses. Ainda assim, permanece mais alta do que nesses quatro países latino-americanos.

 

Capacidade ociosa - Ramos também chama atenção para a enorme capacidade ociosa na economia brasileira, o que, em sua avaliação, deveria ter contribuído para reduzir ainda mais a inflação. O hiato do produto, uma medida de ociosidade na economia, está negativo em cerca de 4,5% no Brasil, estima. Esse é também o nível mais elevado de ociosidade entre os cinco países analisados por ele. Na média de México, Peru, Chile e Colômbia, o hiato está negativo em 1%.

 

Abaixo da meta - É fato que a inflação está abaixo da meta definida para este ano, de 4,25%, e o BC tem espaço para cortar juros já na reunião desta semana, diz Ramos. Isso se deve, além da fraqueza da atividade, à credibilidade da autoridade monetária e às expectativas sob controle. No entanto, quando se colocam as variáveis brasileiras na chamada curva de Phillips, que estabelece uma relação inversa entre desemprego e inflação, o resultado esperado seria de uma queda maior dos índices de preços, pondera. 

 

Hiato - "A margem de ociosidade é enorme, o hiato do produto está negativo há quatro anos. O Brasil tem 13 milhões de desempregados, com desemprego de 12%. Ter uma inflação de serviços em 3,8% não é motivo para grande celebração", afirma Ramos, para quem o Brasil não tem um problema com o nível de preços, mas um IPCA ao redor de 3% em 12 meses não pode ser considerado baixo. Para padrões brasileiros, o IPCA está baixo, tendo recuado com força nos últimos anos. Em 2015, atingiu 10,7%.

 

Alvo - Em sua avaliação, a meta no Brasil ainda é alta, o que já está sendo normalizado pelo BC, que definiu em 3,5% o alvo de 2022. O processo de redução da meta precisa continuar rumo aos 3%, afirma Ramos, que também propõe reduzir a banda de tolerância para o IPCA, de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Além da meta menos rigorosa, problemas de produtividade e gargalos de oferta contribuem para que os preços subam mais por aqui, diz ele.

 

Fechada - Professor da PUC-Rio, Luiz Roberto Cunha aponta que a economia brasileira é mais fechada, o que também contribui para manter os preços em nível um pouco mais alto. "Os preços não comercializáveis, como serviços, ficam com um peso maior", explica Cunha, que não vê a inflação ao redor de 3% como um patamar consolidado no Brasil. É de se esperar que, quando o país voltar a crescer, o IPCA acelere para cerca de 4%, o que seria um nível razoável, avalia. "Não vejo como indústria, serviços e comércio não melhorarem suas margens, que estão muito baixas."

 

Perspectivas - Para Fabio Ramos, do UBS, a perspectiva para os preços no Brasil é favorável, e a inflação deve convergir para os níveis mais "civilizados" das outras economias latino-americanas. A ideia de que a desinflação ocorrida teria de ser maior, em sua visão, era mais válida há dois anos, principalmente levando em conta os choques de 2018. O principal foi a greve dos caminhoneiros, que fez o IPCA subir 1,26% em junho passado.

 

Câmbio - Ramos também lembra da expressiva desvalorização do câmbio em 2018, quando o dólar terminou o ano em R$ 3,84 -18% acima da cotação de janeiro. "E durante as eleições chegou a R$ 4,17", observa ele, o que poderia ter pressionado mais os preços em sua opinião. "O hiato do produto negativo está funcionando." (Valor Econômico)

 

economia II quadro 30 07 2019

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