cabecalho informe

ECONOMIA I: Rombo do setor público no 1º semestre é o menor em 4 anos

 

O setor público consolidado teve no primeiro semestre deste ano o menor déficit primário (que exclui gastos com juros) para o período desde 2015. Nos seis meses iniciais de 2019, o resultado foi negativo em R$ 5,7 bilhões, contra déficit de R$ 14,4 bilhões no mesmo período do ano passado e superávit de R$ 16,2 bilhões há quatro anos. Nos cálculos, divulgados nesta segunda-feira (29/07) pelo Banco Central, entram os desempenhos de governo central, Estados, municípios e estatais, com a exceção de Petrobras e Eletrobras.

 

Melhoria do déficit - "Permanece a trajetória de melhoria do déficit, ou seja, de diminuição em relação aos anos anteriores", diz o chefe de departamento de estatísticas do BC, Fernando Rocha. Ainda assim, apesar do déficit menor, as contas públicas seguem em situação crítica. Em junho, a dívida bruta do setor público subiu de R$ 5,479 trilhões em maio para R$ 5,499 trilhões em junho, permanecendo em um patamar equivalente a 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB). 

 

Dívida líquida - Já a dívida líquida passou de R$ 3,811 trilhões para R$ 3,859 trilhões, alta do equivalente a 54,7% do PIB para 55,2% do PIB. "O crescimento da dívida líquida e da dívida bruta é a tendência a ser esperada", afirma Rocha.

 

Números fiscais - Ele destaca que os números fiscais do primeiro semestre normalmente são mais favoráveis do que os do segundo. Na primeira metade do ano, por exemplo, está concentrada a arrecadação do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF). Na segunda metade, por sua vez, o setor público tem uma despesa a mais, com o pagamento do 13º salário do funcionalismo.

 

Gastos com a Previdência - Parte considerável da piora das contas públicas vem sendo causada pelos gastos com a Previdência. Entre o primeiro semestre de 2018 e o mesmo período deste ano, o déficit do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) saltou de R$ 91 bilhões para R$ 95 bilhões, de acordo com o BC. Enquanto isso, o superávit do governo federal foi na direção oposta e subiu de R$ 62,7 bilhões para R$ 70,5 bilhões. Na comparação entre junho deste ano e do ano passado, o quadro é similar: o déficit do INSS foi de R$ 14,5 bilhões para R$ 14,9 bilhões (o pior resultado para o mês em toda a série histórica); e o superávit da União passou de R$ 416 milhões para R$ 2,8 bilhões. "Isso se repete mês a mês", afirma Rocha.

 

Governos regionais - Já os governos regionais, mesmo com graves problemas fiscais, elevaram o superávit de R$ 13,2 bilhões nos primeiros seis meses de 2018 para R$ 19 bilhões neste ano. Diretor do departamento de pesquisas econômicas para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos afirma que, dado "o lento progresso em direção à consolidação fiscal", a dívida bruta deve superar o nível "inquietante" de 80% do PIB antes de se estabilizar. "Isso deixa o quadro fiscal, e a economia como um todo, vulnerável a choques adversos domésticos e do exterior", diz, em relatório.

 

Acumulado de 12 meses - No acumulado de 12 meses, o déficit primário teve ligeiro recuo, de R$ 100,3 bilhões para R$ 99,5 bilhões, o que, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), significa queda de 1,44% para 1,42%. A meta para o setor público consolidado é de déficit de R$ 132 bilhões neste ano.

 

Desafio - Para Pedro Schneider, economista do Itaú Unibanco, o cumprimento da meta "exige disciplina, mas não deve constituir grande desafio". Segundo ele, a permanência dentro do limite será mais fácil "principalmente se houver sucesso no leilão dos campos de petróleo da cessão onerosa". Schneider calcula que o leilão pode ter um impacto positivo sobre o resultado primário de até R$ 52 bilhões neste ano. (Valor Econômico)

 

economia I 30 07 2019

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to LinkedIn

Últimas Notícias