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AFTOSA: Governo anuncia concurso para contratação de médicos veterinários e técnicos

Uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) reuniu, na manhã desta quarta-feira (28/08), em Curitiba, cerca de dois mil produtores rurais. Organizada pelo deputado Antônio Anibelli Neto, presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Alep, a audiência teve como objetivo discutir as ações do estado para obtenção do status de área livre de febre aftosa sem vacinação e os benefícios dessa medida para o agronegócio paranaense. “Hoje não existe mais o vírus circulante, portanto o Estado do Paraná fez o seu dever”, afirmou o deputado.

Presenças - A audiência desta quarta foi a última de uma série realizada pelo Estado, com o apoio de entidades representativas. Entre as autoridades e lideranças do setor presentes ontem, estavam os secretários Guto Silva (Casa Civil) e Norberto Ortigara (Agricultura), e os presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, e da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguete. Também compuseram a mesa de debates: a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), a Sociedade Rural do Paraná, o Sindicato dos Fiscais Estaduais Agropecuários do Paraná, entre outras entidades representativas. Em nome da agroindústria paranaense, falou o diretor executivo da Frimesa, Elias Zydek.

Concurso - A expectativa é que, em setembro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento formalize o status do Paraná de área livre de febre aftosa e que, em maio de 2021, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) faça o reconhecimento dessa condição. Para cumprir a última exigência do Mapa, o secretário Ortigara anunciou nesta quarta que o governo do Paraná vai abrir um concurso público para a contratação de 30 médicos veterinários e 50 técnicos agrícolas. “Nós tínhamos uma pendência com o Mapa de que, para suspender a vacina, teríamos que reforçar a capacidade técnica de intervenção e de vigilância, especialmente nas nossas barreiras. Sensível a essa situação, o governador autorizou na terça-feira, dia 27, o concurso público para contratação de pessoal para reforçar a nossa capacidade pública de ação”, disse. O edital será publicado nos próximos dias. Atualmente, o Estado tem 237 veterinários e 245 técnicos agrícolas.

Fiscalização - O secretário lembrou ainda que outra medida obrigatória era a construção e reforma de postos de fiscalização animal em divisas do Paraná com outros estados. “Conseguimos cumprir essa exigência com a ajuda financeira da iniciativa privada, incluindo as cooperativas. O primeiro interessado nesse avanço sanitário somos nós, produtores rurais. O segundo interessado é a indústria, que processa e vende. Então, somos nós que temos que querer e os governos têm que dar condições para que as coisas andem bem, agir com inteligência para que possamos evoluir”, apontou o secretário.

Construção coletiva - Para Ortigara, a grande presença de pessoas na audiência em Curitiba mostra o acerto da construção coletiva entre o poder público e a iniciativa privada feita ao longo de muitos anos. “Tudo foi construído para chegar neste momento, que o mundo possa reconhecer o Paraná como um Estado diferente, uma zona de produção diferente”, disse. “É abrir a perspectiva para nós acessarmos mercados”, completou. Entre os mercados, estão o japonês, sul-coreano, mexicano, além da ampliação para a União Europeia. De acordo com Ortigara, a declaração de Estado Livre de Aftosa sem Vacinação trará benefícios também para os produtores que não precisarão gastar mais recursos com vacinas. Anualmente, esse valor ultrapassa R$ 30 milhões. Além disso, o Paraná se isola de outros estados que ainda não se habilitaram a esse status. “É um desafio importante, e a gente deve aproveitar essa oportunidade”, afirmou.

Melhorias - O diretor-presidente da Adapar, Otamir César Martins, reforçou as iniciativas adotadas para atender às exigências do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “O estímulo à formação de Conselhos de Sanidade Animal, a criação do Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Estado do Paraná (Fundepec), além da constante realização de capacitações e eventos de educação sanitária são provas do investimento do Paraná na qualidade do serviço de sanidade”, disse. O gerente de saúde animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, fez uma apresentação técnica sobre a febre aftosa no cenário nacional e internacional. Já o diretor-presidente da Emater, Natalino Avance de Souza, referiu-se ao status de livre de febre aftosa sem vacinação como um passaporte para o mundo. “O Paraná é referência em agricultura, praticamos aqui a melhor agricultura do Brasil e queremos também ser referência em sanidade agropecuária”, afirmou.

Produtores rurais - O presidente da Faep, Ágide Meneguette, enalteceu a participação do produtor rural, que teve papel determinante em todas as etapas da estruturação sanitária do Paraná, há mais de 40 anos. Ele também destacou a demonstração de civismo que os dois mil produtores de todas as regiões do Estado tiveram, ao se deslocar por centenas de quilômetros para acompanhar a audiência pública em Curitiba.

União - Para o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, a audiência pública de ontem foi uma oportunidade de mostrar a união entre produtores, cooperativas, indústrias, Faep, Fetaep, Seab, Adapar, Emater e o Ministério da Agricultura. “Nós não temos dúvidas em relação à retirada da vacinação. E estamos muito seguros de que a declaração internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação é o reconhecimento da excelência fitossanitária do estado”, destacou o dirigente. “Temos que parar de gastar dinheiro para vacinar contra uma doença que não existe mais. Continuar vacinando os rebanhos, além de prejudicar a conquista de novos mercados, representa um custo ao produtor rural da ordem de R$ 30 milhões anuais com a aquisição de vacinas”, completou.

Lição de casa feita - Em sua fala, Ricken ainda lembrou que o Paraná fez a sua lição de casa para conquistar o status de estado livre de vacinação contra a febre aftosa. “Não vamos discutir porque os outros estados não fizeram. Mas achamos que a hora do Paraná é essa. Trabalhamos muito por isso. Hoje, nosso estado faz parte de um bloco de 24 estados que ainda mantém a vacinação. Se um desses estados tiver algum problema, não importa a distância, o bloco todo vai sofrer as consequências. Isso vai comprometer a nossa estratégia de acessar novos mercados”, disse. (Com informações da Seab)

Clique aqui para conferir o pronunciamento do presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken na audiência pública

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