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INFRAESTRUTURA I: Setor produtivo discute propostas para a malha ferroviária do Paraná

Representantes do setor produtivo do Paraná se reuniram, na manhã desta terça-feira (22/10), na sede do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), em Curitiba. Em discussão, o transporte de cargas por meio de ferrovias, modal que responde por 20% das cargas transportadas até o Porto de Paranaguá, principal via de saída dos produtos paranaenses para o mercado externo. “Por solicitação do governador, Carlos Massa Ratinho Júnior, vamos estruturar propostas para compor o Plano Ferroviário Paranaense, com visões de curto, médio e longo prazos”, disse o superintendente da Federação das Cooperativas do Paraná, Nelson Costa, ao explicar os motivos da reunião promovida pelo G7 (grupo formado pelas principais entidades representativas do setor produtivo do estado), em conjunto com o Conselho Temático de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). 

Planos de investimentos - Participaram o secretário estadual do Planejamento, Valdemar Bernardo Jorge, o diretor-presidente da Administração do Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Fernando Garcia da Silva, o diretor-presidente da Ferroeste (Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A.), além de representantes da Rumo Logística, da Agência Paraná Desenvolvimento e do Instituto de Engenheiros do Paraná (IEP). Na ocasião, tanto a Rumo Logística quanto a Secretaria de Planejamento apresentaram seus planos de melhoria para a malha ferroviária paranaense. Também o Porto de Paranaguá trouxe números, dando uma dimensão do quanto o embarque de cargas aumentou nos últimos anos. Em 2018, os embarques somaram 53 milhões de toneladas, sendo que até agosto deste ano, já são 31 milhões de toneladas. Porém, a estrutura física do Porto, mesmo com investimentos em melhorias, permanece a mesma.

Demanda - Segundo Nelson Costa, a região Oeste do Paraná tem sido a principal prejudicada no transporte de cargas até o Porto de Paranaguá porque a capacidade de operação do ramal de Ponta Grossa até Cascavel está bastante aquém da necessidade. “Hoje são transportadas em torno de 800 mil toneladas/ano, mas a demanda existente é de no mínimo 5 milhões de toneladas/ano. Por este motivo trouxemos esse assunto para discussão hoje e depois vamos levá-lo para discutir regionalmente e, então, encaminhar uma proposta do G7 para o governo que seja assertiva”, completou Costa.

União - “A gente percebe a união do setor produtivo e a disposição em pensar junto com o Estado uma maneira de construir um novo modelo modal ferroviário no Paraná”, afirmou o secretário Valdemar Bernardo. Na sua opinião, o diálogo promovido pelo G7 e o Conselho Temático da Fiep foi importante porque possibilitou “ouvir as demandas do setor produtivo e os investimentos no Porto para facilitar a descarga dos vagões”. “Também fomos informados sobre os investimentos que a Rumo fez em locomotivas e ouvimos o pessoal da Ferroeste, empresa que fez um belíssimo trabalho nos últimos 10 meses, superando uma situação deficitária e aumentando sua capacidade de transporte. Hoje já não precisamos mais colocar dinheiro para custear o transporte ferroviário”, afirmou.

Curto prazo - Para o secretário, a curto prazo tão importante quanto aumentar a capacidade de transporte ferroviário é garantir uma tarifa competitiva para o setor produtivo. “A gente não pode ter tarifas elevadas que irão prejudicar cada vez mais o setor produtivo. Então, o objetivo, nesse momento, é reduzir tarifa e aumentar a capacidade de transporte”, disse o secretário lembrando que hoje há uma necessidade de resolver o problema da ferrovia em Guarapuava, onde é preciso fazer o transbordo de cargas. “Isso representa um custo muito alto para o setor produtivo e encarece o custo Brasil. Então, a ideia no curto prazo é encontrar uma forma que a gente possa, junto com a malha da Rumo e a malha da Ferroeste, evitar esse transbordo, aumentando a capacidade da Ferroeste de quase em 1 milhão de toneladas/ano para quase 3 a 4 milhões de toneladas”, concluiu.

Potencial de crescimento - Atualmente o modal ferroviário do Paraná transporta 10 milhões de toneladas de carga/ano, contra 43 milhões de toneladas transportadas por caminhões, o que mostra o desequilíbrio no escoamento.  Com melhorias nas malhas da Rumo e da Ferroeste (linha permanente e material rodante), projetos para descarga de volume adicional via ferrovias (Moegas), bem como a atualização de projetos já existentes, a exemplo do trecho Guarapuava-Ipiranga e Cascavel-Foz do Iguaçu, a expectativa é de uma migração de 40 milhões de toneladas/ano de cargas transportadas de rodovias para as ferrovias, o que irá representar uma economia total de R$ 1,2 bilhão por ano.

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