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CÂMBIO: Dólar alto força nova postura do Banco Central

cambio 28 11 2019Depois de uma série de ruídos de comunicação, que serviram de combustível para a disparada do dólar, o Banco Central ajustou o discurso sobre a política cambial e, agora, deixa claro que está pronto para intervir a qualquer sinal de “disfuncionalidade”. A mudança de tom, entretanto, só veio depois de muita pressão no mercado: os investidores reforçaram as compras de dólares na bolsa e zeraram as apostas a favor do real.

Investidores locais - Apenas na última terça-feira (26/11), os investidores locais compraram US$ 1,8 bilhão via derivativos registrados na B3. O movimento foi tamanho que a posição geral desses “players” foi totalmente revertida. Se, antes, prevaleciam posições favoráveis à queda do dólar, ou “vendidas” no jargão do mercado, agora sobressaem as apostas compradas na moeda americana.

Máximas históricas - Não à toa, o dólar superou suas máximas históricas no começo da semana, mesmo com duas intervenções do BC em um só dia com venda de dólares no mercado à vista. Logo após o fechamento na terça, o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, afirmou, em evento, que voltaria a fazer intervenções se o câmbio estivesse disfuncional - um foco diferente daquele adotado na semana passada quando se concentrou na política monetária e afirmou que o câmbio só preocuparia se afetasse expectativas de inflação.

Nova mensagem - A nova mensagem - agora mais direcionada a problemas no câmbio - foi reforçada logo na manhã desta quarta pelo diretor de política monetária, Bruno Serra Fernandes. “Se o mercado não funcionar adequadamente, vamos intervir de novo”, disse, ressaltando que o BC não defende nível de câmbio. A promessa sobre a intervenção não demorou a ser colocada à prova.

Alta - Nesta quarta-feira (27/11), o dólar comercial voltou a subir com força e, na máxima do dia, bateu R$ 4,2711. Em seguida, mais um leilão de venda de dólares pelo BC. A atuação até serviu para reduzir o ímpeto da escalada, mas a cautela segue bastante presente.

Cotação - Mesmo com a terceira intervenção em dois dias, o dólar fechou cotado a R$ 4,2584, em alta de 0,45%. E num sinal de que o tema se mantém no radar, o BC anunciou, após o fechamento do mercado, que ofertará até US$ 1 bilhão em novo leilão nesta quinta-feira (28/11).

Anomalia - Para o professor Márcio Garcia, da PUC-RJ, o dólar a R$ 4,27 não é uma anomalia dado o contexto de baixos juros, queda das commodities e frustração com o leilão da cessão onerosa. Ele também nota que, em uma perspectiva de mais longo prazo, o câmbio real não está excessivamente depreciado. “Em 2002, o dólar chegou perto de R$ 7,00, a depender dos deflatores que você usa”, diz.

Especulação - Apesar disso, Garcia identificou um componente de especulação nos últimos dias, alimentado pela fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o novo paradigma da economia, com juro baixo e câmbio depreciado. Mesmo que o conteúdo da fala do ministro não seja muito diferente do que se conhece, acrescenta, “Guedes deveria, por dever de ofício, saber que não é papel dele fazer comentários do tipo. Quando ele fala, ganha outro peso”, diz.

Contra o real - As operações do BC começaram a ocorrer num momento que diversos fatores jogavam contra o real, inclusive a revisão dos dados da balança de pagamentos e a saída sazonal de recursos do país, o que levou os investidores a se concentrarem na ponta compradora de dólar, diz Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Capital e ex-diretor do BC. “A intervenção serve para gerar funcionalidade no mercado, que está na alçada do BC.”

Momento - Ex-chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto (Demab) do BC, Sergio Goldenstein acredita que este é um momento de a autoridade monetária mostrar força para atenuar a escalada do dólar. “Como há escassez de dólares à vista, o BC está certo em suprir liquidez neste mercado”, diz. “Se fraquejar, a depreciação da moeda pode ser ainda maior.”

Dúvidas - O movimento do câmbio começa a levantar dúvidas sobre o ponto final do ciclo de corte de juros. Para alguns profissionais, inclusive, a autoridade monetária deveria ajustar o discurso para reforçar também que não há relação mecânica entre movimento do câmbio e trajetória da Selic.

Contradição - Um dos poucos gestores a ter uma visão mais conservadora, tanto para a bolsa quanto para o real, Eric Hatisuka, da Rosenberg Investimentos, vê uma contradição do BC em derrubar juros e intervir no câmbio. Para ele, ao optar por afrouxar a política monetária, torna-se ilógico o BC atuar para tentar conter os efeitos do juro baixíssimo no câmbio: a autoridade deveria ter deixado a moeda flutuar. “Ao mandar essa mensagem confusa, eu entendo que o BC desancorou o câmbio. Agora, a moeda vai buscar um novo equilíbrio, mas não sabemos qual”, diz. (Valor Econômico)

cambio quadro 28 11 2019

 

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