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INTERNACIONAL: Acordo EUA-China reduz tarifas e tensão comercial

 

internacional 13 12 2019O presidente dos EUA, Donald Trump, aceitou um acordo comercial limitado com Pequim, no qual Washington reverterá tarifas já aplicadas e cancelará a entrada em vigor de nova rodada de tarifas no domingo, num acerto para elevar as compras de produtos agrícolas americanos pelos chineses e para obter outras concessões, segundo fontes a par das negociações.

 

Assinatura - Se confirmado, o representante comercial dos EUA (USTR), Robert Lighthizer, e o embaixador chinês nos EUA, Cui Tiankai, devem assinar nesta sexta-feira (13/12) ao menos um esboço do acordo, disse outra pessoa familiarizada com o assunto.

 

Pronunciamento - “A bola está com a China agora”, disse uma das fontes bem informadas sobre a oferta dos EUA. Até a noite desta quinta-feira (12/12), Pequim não havia se pronunciado oficialmente.

 

Medidas - Michael Pillsbury, consultor do presidente, disse que conversou com Trump e que ele relatou que o acordo prevê que a China comprará US$ 50 bilhões em bens agrícolas em 2020 - mais que o dobro das compras chinesas em 2017, antes do início da guerra comercial -, juntamente com energia e outros bens. Em troca, os EUA reduzirão as tarifas de muitas importações chinesas, que agora variam de 15% a 25%.

 

Reuniões - Trump se reuniu com seus principais assessores econômicos e comerciais por uma hora nesta quinta-feira (12/12) para discutir o acordo. O “Wall Street Journal” informou que Washington ofereceu reduzir à metade as tarifas existentes em cerca de US$ 360 bilhões em produtos importados da China, além de cancelar as tarifas sobre US$ 156 bilhões em bens de consumo chineses previstos para domingo (15/12). Essa oferta foi feita a Pequim nos últimos cinco dias.

 

Tarifas - Pelo acordo, se Pequim deixar de fazer as compras acordadas, as tarifas voltariam aos seus níveis originais. Especialistas em comércio chamam essa cláusula de “snapback”, ou reversão, embora o presidente não use esse termo, disse Pillsbury.

 

“Gesto de boa vontade” - No que Pillsbury descreveu como um “gesto de boa vontade”, os EUA planejam anunciar hoje alguns cortes nas tarifas. “O presidente está otimista e entusiasmado com este avanço nas negociações”, segundo Pillsbury, especialista em China no Instituto Hudson e assessor do governo Trump.

 

Quadro comum - Há dois meses, Trump declarara que os dois países tinham chegado a um quadro comum para um pacto limitado de “fase um”, de forma a suspender a guerra comercial e permitir negociações sobre outras fases possíveis, destinadas a tratar de principais preocupações das empresas americanas, como furto de tecnologia e acesso a mercado.

 

Comemoração - Entidades empresariais comemoraram o avanço, que consideraram uma pausa bem-vinda na guerra tarifária. Importadores, varejistas e outras empresas americanas temiam que mais impostos tivessem o efeito de aumentar os preços ou prejudicar as vendas.

 

Receptividade - “Recebemos bem a notícia de que um acordo de ‘fase um’ entre EUA e China é iminente”, disse Myron Brilliant, vice-presidente executivo da Câmara de Comércio dos EUA. “Isso trará estabilidade ao relacionamento entre os EUA e a China. Mas não devemos nos iludir: ainda há mais trabalho pela frente e mais problemas a resolver.”

 

Impacto global - Mas nenhuma das tréguas comerciais acertadas nos últimos dois anos se manteve, e a incerteza com o comércio entre as duas maiores economias do mundo tem pesado na economia global. Reticentes com o que consideram o péssimo histórico de Pequim em cumprir suas promessas, os negociadores americanos, liderados por Lighthizer, pediram à China que se comprometesse por escrito a fazer algumas compras agrícolas antecipadamente e concorde com um cronograma detalhado para compras futuras.

 

Pressão - Os EUA também pressionam a China a se comprometer no texto do acordo com uma revisão trimestral das compras prometidas e especificar que o valor das compras não cairá mais de 10% em nenhum trimestre.

 

Percentuais - Os EUA impuseram tarifas sobre produtos chineses por fases, nos últimos dois anos. Atualmente, cobram tarifas de 25% sobre cerca de US$ 250 bilhões em produtos chineses e de 15% sobre outros US$ 111 bilhões. Essas alíquotas seriam reduzidas à metade, de acordo com a mais recente oferta de Washington, mas voltarão a seus níveis originais caso a China não realize as compras prometidas.

 

Relutância - Os negociadores chineses relutaram em atender às exigências dos EUA. Sua preocupação é de que as aquisições garantidas possam causar atrito com outros parceiros comerciais da China. Além disso, as autoridades chinesas argumentaram que as compras deveriam ser baseadas nos preços de mercado e na demanda orgânica gerada pelas empresas chinesas. Por exemplo, o Brasil está oferecendo soja a preços menores do que os dos EUA, e comprar dos EUA a preços mais elevados prejudicaria os compradores chineses.

 

Críticas - Um acordo nesses termos deverá atrair críticas nos EUA, por abrir mão de uma parcela grande demais de alavancagem. Tarifas menores, de 7,5% ou 12,5%, são muito mais fáceis de ser administradas por exportadores e importadores e podem não ser suficientes para obrigar Pequim a mudar as principais políticas que compõem seu modelo econômico.

 

Questões mais espinhosas - Muitas das questões mais espinhosas ainda não foram solucionadas. Entre elas estão os subsídios dados pela China a suas empresas, as restrições de acesso a setores de rápido crescimento no país, como computação na nuvem, e o fim de pressões chinesas sobre empresas americanas para que transfiram tecnologia a parceiros locais. 

 

Vitória - Tanto Xi Jinping, o presidente da China, quanto Trump poderiam descrever um acordo de curto prazo desse tipo como uma vitória.

 

Argumento - Trump poderia argumentar que ele obteve uma garantia de compras de larga escala de Pequim, ao mesmo tempo em que manteve a pressão das tarifas sobre a China. Já Xi poderia apontar para uma diminuição das tarifas existentes, o que daria um impulso muito necessário à economia chinesa, que está em desaceleração. A guerra comercial com os EUA fez com que as exportações chinesas para os EUA despencassem e que as empresas adiassem investimentos.

 

Prioridade - Chegar ao que é encarado em amplos círculos como um acordo equilibrado continua sendo prioridade para os negociadores e os líderes chineses. Pequim recusou um acordo quase concluído no começo de maio por sentir que ele favorecia demais os EUA. Isso levou o governo Trump a intensificar sua ofensiva comercial contra a China, que então revidou, exacerbando um ciclo de retaliações mútuas.

 

Projetos de lei - Nas últimas semanas, as tensões se intensificaram entre EUA e China, desencadeadas por dois projetos de lei apresentados ao Congresso dos EUA que defendem os direitos humanos nas regiões chineses de Hong Kong e Xinjiang. (Valor Econômico)

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