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INTERNACIONAL: G-20 terá plano de ação pró-crescimento

Os líderes do G-20 vão adotar um Plano de Ação de São Petersburgo com flexibilidade fiscal e compromissos de política monetária e no câmbio, além de redefinir uma agenda de reformas estruturais "mais concretas e ambiciosas", conforme versão preliminar do documento final do encontro, à qual o Valor teve acesso. O anúncio virá na esteira da constatação, pelos líderes das 20 maiores economias mundiais, de que a recuperação econômica "continua muito fraca, e os riscos continuam inclinando-se para o lado negativo".

Demanda privada - A avaliação é que a demanda privada melhorou nos Estados Unidos, que surgem sinais de recuperação na zona do euro, que o crescimento nos emergentes continua, ainda que em ritmo mais lento, mas que, no entanto, as perspectivas de crescimento para 2013 são baixas, as disparidades regionais de expansão continuam grandes e o desemprego, sobretudo entre os jovens, permanece "inaceitavelmente" elevado.

Área fiscal - Na área fiscal, os líderes das maiores nações desenvolvidas e emergentes praticamente enterram a insistência em austeridade. As economias desenvolvidas concordam em manter agora uma abordagem flexível em suas estratégias fiscais, ao mesmo tempo em que procuram conservar suas finanças públicas sustentáveis. O texto cita medidas de vários países focando o investimento para apoiar o crescimento.

Compromissos específicos - Serão anunciados compromissos específicos de redução de dívida em relação ao PIB para além de 2016 (caso de Alemanha, França, Canadá, Itália, Coreia do Sul e Espanha). Alguns emergentes (Brasil, Argentina, China, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia) também detalham suas estratégias de sustentabilidade fiscal, para melhorar a resiliência das economias e das finanças públicas a choques.

Política monetária - Sobre política monetária, a mensagem é "que continuará direcionada na estabilidade dos preços e a apoiar a recuperação econômica". O documento alinha intenções das principais autoridades monetárias do planeta de evitar a propagação de problemas para parceiros, como os emergentes.

Fed - O Federal Reserve (o BC dos EUA) tem a intenção de continuar o programa de compra de ativos e de empregar outros instrumentos até que a situação no mercado de trabalho nos EUA melhore "substancialmente no contexto de estabilidade de preços". A sinalização é que os juros continuarão muito baixos enquanto a taxa de desemprego continuar acima de 6,5%, e a inflação nos próximos um a dois anos continuar dentro do previsto, isto é, não acima de 2%.

Inglaterra - O Banco da Inglaterra (o BC britânico) se compromete a manter o atual nível "altamente estimulante de política monetária" até que a fraqueza econômica tenha sido "substancialmente reduzida", desde que isso não cause riscos de inflação e à estabilidade financeira.

Japão - O Banco do Japão (BC japonês) vai dobrar a base monetária e o volume de títulos públicos em seu poder em dois anos, e mais do que dobrar a média de maturidade dos títulos de dívida comprados.

Europa - Por sua vez, o Banco Central Europeu (BCE) espera que as taxas de juro de base na zona do euro permaneçam no nível atual, de 0,5%, "ou mais baixas" por um bom período de tempo. O BCE continuará a fazer operações de refinanciamento enquanto for necessário, e pelo menos até julho de 2014.

Brasil - O Plano de Ação lista também a decisão do Brasil de fazer intervenções de US$ 54,5 bilhões até o fim do ano, a fim de reduzir incertezas e aumentar a transparência no mercado de câmbio, além de oferecer hedge e liquidez ao mercado local.

Câmbio - Na área cambial, o plano repete o compromisso dos países de se moverem mais rapidamente para taxas determinadas pelo mercado, evitarem desvalorizações competitivas e o compromisso de minimizar impactos negativos em outros países de políticas implementadas por razões domésticas.

Reformas estruturais - O plano dá ênfase também a reformas estruturais, com praticamente todos os países do grupo detalhando suas medidas. O Brasil diz que apoiará com desonerações e iniciativas inovadoras de financeiro o Programa de Investimentos em Logística de R$ 153 bilhões (US$ 71 bilhões) num horizonte de cinco anos, para tratar de atenuar gargalos, aumentar a competitividade e promover crescimento através de parcerias público-privado.

China - A China acelerará o desenvolvimento no setor de serviços e elevará a contribuição de valor agregado ao PIB em 4 pontos percentuais até 2015, além de aumentar despesas em pesquisa e desenvolvimento a 2,2% do PIB.

Produtividade e competitividade - No plano de 12 páginas, os países detalham também compromissos para melhorar produtividade e competitividade. O governo brasileiro anuncia o envio de 110 mil estudantes e pesquisadores para universidades no exterior até 2015 e o investimento de US$ 3,3 bilhões em bolsas de estudos somente neste ano. Diz que serão criados 208 novos centros técnicos até o fim de 2014 e quatro novas universidades públicas até 2018. (Valor Econômico)

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