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SISTEMA OCEPAR II: Diretores analisam cenário econômico nacional

 

O momento econômico em que o país atravessa e as expectativas em relação a 2014 foram analisadas pelos dirigentes de cooperativas paranaenses que participaram, na manhã desta segunda-feira (09/09), da 29ª reunião ordinária da diretoria do Sistema Ocepar, na sede da instituição, em Curitiba. De acordo com o superintendente estadual do Sicoob, Marino Delgado, a variação cambial era uma necessidade para que alguns empresários conseguissem equilibrar suas finanças. “Isto ocorreu, só que numa rapidez muito intensa, e alguns desses empresários não estavam preparados para enfrentar o que veio”, disse. Na sua opinião, a expectativa é que, a partir de agora a situação comece a se acomodar. “Esperamos que haja um equilíbrio, e o governo tome as rédeas e domine a inflação.”

Embalo – Delgado lembra que o domínio inflacionário é importante porque o Brasil ainda tem muito que crescer e evoluir. “Acho que os problemas que enfrentamos este ano não vão tirar o embalo do Brasil. Na minha visão, o que país precisa mais é cuidar de outras questões, como a impunidade, e corrigir alguns desvios e que estão sendo motivo de cobrança por parte da população. A gente está observando isso por meio dos movimentos nas ruas. É um chamamento da nossa população para que o governo tome medidas imediatas e corrija esses desvios”, alerta.

Investimentos – O dirigente lembra ainda que, como o Sicoob é um repassador de recursos, principalmente para o setor produtivo, o cenário da economia interna nesse ano, marcado pela alta da inflação e estimativas de baixo crescimento do PIB, não teve grandes reflexos no dia a dia da instituição. “Não vemos o impacto no nosso negócio como uma grande dificuldade, pois quando você capta ou empresta, sempre atrela-se à variação da Selic. E a tomada de novos investimentos pelos nossos clientes, tem sido um processo natural e não houve um recuo muito significativo”, comenta.

Reflexão profunda - Para Alfredo Lang, presidente da C.Vale, quando se trata de conjuntura econômica é preciso fazer uma reflexão mais profunda e que passa pela necessidade urgente de se investir em infraestrutura do País. O dirigente disse que o momento vivido pelo Brasil nos últimos meses é de “incertezas do que teremos pela frente. Não temos um rumo certo o que irá acontecer com a economia, inflação, disponibilização de recursos para os produtores, etc.”, frisa. Ele recorda que o Brasil deixou de crescer nos patamares que todos desejávamos. “As próprias metas de crescimento estabelecidas pelo governo não foram cumpridas no último ano, ficando abaixo do que se esperava e isto nos traz certa preocupação sim”, afirma Lang.

Planejamento - Mesmo diante deste cenário de incertezas, o dirigente afirma que o planejamento estabelecido pela cooperativa para os investimentos em 2013 continuam sendo cumpridos à risca. “Nossa meta é investir cada vez mais em infraestrutura e logística para trazer uma maior tranquilidade aos nossos produtores, especialmente dando condições de armazenar sua produção”. Mesmo assim, este e é um assunto que preocupa Lang. “Em 2013, nós só vimos só a ponta do iceberg na questão de falta de logística e com certeza isto se agravará ainda mais por falta de investimentos ao longo dos anos. Segundo ele, aumentou a produção e não tivemos melhoria nas rodovias e principalmente nos portos”. 

Novas tecnologias - Na opinião do presidente da C.Vale, todo esforço feito para a melhoria do escoamento da produção foi comprometida pelo fato que os produtores estão se utilizando cada vez mais de tecnologias modernas para produzir mais, em tempo cada vez menor. “Ano a ano aumentamos nossa produtividade. Nossos produtores estão tendo cada vez mais acesso a linhas de financiamentos para aquisição e ampliação de implementos e modernização de seus parques de máquinas, estão mais eficientes e rápidos para colher em menor espaço de tempo. Em contrapartida, a indústria de equipamentos de processamento de recepção, secagem e limpeza não evoluiu na mesma velocidade que o setor de implementos e máquinas e isto é preocupante porque nos traz um problema para agilizar o recebimento da produção, ocasionando filas nas cooperativas”, frisa Lang. Para ele é algo que precisa ser debatido junto a este importante setor da cadeia produtiva.

Inflação – A volta da inflação é apontada por Renato Greidanus, presidente da Cooperativa Batavo, como o aspecto mais inquietante do cenário econômico brasileiro atual. “Logicamente, o que mais preocupa, não só a Cooperativa Batavo, como toda a sociedade, é, principalmente, a volta da inflação, que é iminente. Hoje, os custos para se manter a máquina pública estão cada vez mais altos. Sabemos ainda que há uma certa inflação represada como na área de energia, por exemplo. Fatalmente, os combustíveis terão que ser reajustados em algum momento e a sociedade vai arcar com esse aumento no seu custo de vida. Isso terá impacto na demanda por produtos e no poder de compra do público em geral, que acaba sendo retraído”, ressalta.  

Cautela - Diante dessa situação, Renato disse que a cooperativa deverá avaliar com bastante cautela a realização de novos investimentos a partir do ano que vem, mas que os projetos em andamento deverão ser concluídos.  “Hoje estamos com projetos na área de industrialização de trigo, um frigorífico de carne suína e outro de leite, em parceria com outras cooperativas. Todos estão em fase final de conclusão e provavelmente as operações iniciam no primeiro semestre de 2014. Mas os próximos projetos talvez nós tenhamos que dar uma reavaliada antes de implementá-los de fato”, acrescentou. Ainda de acordo com ele, o planejamento financeiro da cooperativa prevê a aplicação de 20% de recursos próprios em seus projetos de investimentos e os demais 80% são viabilizados por meio de agentes financeiros. A Batavo acredita que irá concluir o exercício de 2013 atingindo faturamento entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão, o que representa aumento de 20% em relação ao valor alcançado no ano passado.

Crescimento - Para 2013, a Cooperativa Integrada, com sede em Londrina, planeja um faturamento de R$ 1,7 bilhão, um crescimento de 13% em comparação à movimentação econômica obtida em 2012. O planejamento de expansão segue o ritmo previsto, com investimentos estimados em R$ 100 milhões neste ano, incluindo duas novas plantas industriais, de sucos – já inaugurada – e de processamento de milho – com inauguração prevista para março de 2014. Segundo o presidente Carlos Murate, mesmo com perdas verificadas na safra de inverno, quebra de produtividade e qualidade nas culturas de trigo e milho, as estimativas de crescimento não foram modificadas e o ritmo dos investimentos se manterá. “Até o momento não desviamos em nada dos nossos objetivos. Além da indústria de sucos já concluída, e a de milho em fase final de construção, temos também o projeto de uma indústria de rações. Tudo segue dentro daquilo que já foi planejado e definido pelos cooperados”, afirmou.

Preocupação - Para o presidente da Integrada, a oscilação do câmbio preocupa, pois sofre influências de questões políticas, muitas vezes imprevisíveis. Ele cita como exemplo as discussões em torno do conflito na Síria e a retomada econômica dos Estados Unidos, que causam impactos cambiais. “Atuamos na área de grãos, que representa o maior movimento da cooperativa, e a alta do dólar nesse aspecto nos favorece. Por outro lado, o custo para a compra de insumos também se eleva”, ressalta. “São situações de momento, o panorama do câmbio rapidamente se modifica, muitas vezes surpreende até mesmos os especialistas e analistas econômicos. Por isso, temos que administrar com bastante cautela para que essas mudanças não tragam impactos no planejamento da cooperativa”, conclui Murate. 

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