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SISTEMA OCEPAR: Diretores expressam suas opiniões sobre a economia brasileira

Nesta segunda-feira (09/09), os diretores da Ocepar participaram da 29ª reunião ordinária da gestão 2011/15, na sede da entidade, em Curitiba. Na oportunidade, o Informe Paraná Cooperativo ouviu os dirigentes sobre o atual cenário da economia brasileira. Nesta edição, publicamos a avaliação de mais diretores. Na opinião do presidente da Cooperativa Bom Jesus, Luiz Roberto Baggio, o momento é preocupante, mas não deve ser visto isoladamente. “É claro que o que está acontecendo no país nos preocupa muito, em especial no que diz respeito à falta de investimentos em infraestrutura. Nós estamos vendo um cenário de crescimento econômico insignificante, que só é positivo porque está ancorado na agricultura. Mas, pior do que isso. Nós vemos agora, no fim do primeiro semestre de 2013, um déficit de transações correntes de R$ 47 bilhões, algo que não ocorria nos últimos dez anos. Esse déficit de transações correntes deixa essa condição desajustada em termos de balanço de pagamento e, ao mesmo tempo, a carga tributária em torno de 40%, atestam que o país está gastando muito mais do que arrecada”, afirmou.

Investimentos – Devido às circunstâncias, ele acredita que as cooperativas deverão reavaliar seus investimentos. “Deveremos continuar investindo porque o nosso produtor precisa disso. Mas é algo que deve ser feito com os pés no chão, já que não há contrapartida por parte do governo, como citei anteriormente, nem em melhoria de infraestrutura, nem em alívio da carga tributária”, disse Baggio. Ainda de acordo com o presidente da Bom Jesus, a agricultura brasileira está obtendo bons resultados e o cenário internacional também é favorável ao agronegócio. “Outro dia, o repórter do programa Terra Viva me perguntou sobre o ganho do setor no ano 2012/13. Ele comentou que o agricultor teve uma receita muito boa. Eu devolvi a pergunta para ele. Com quem ficou o ganho do produtor rural nos últimos dez anos? Ele ganhou dinheiro nos últimos dez anos? Nós estamos avaliando um único momento. Assim também as cooperativas têm que olhar para os últimos dez anos e para os próximos dez anos para calibrar os seus investimentos e não se ater a apenas um ano”, acrescentou.

Instabilidade – O presidente da Cooperativa Copagril, Ricardo Chapla, também se manifestou sobre esse quadro de incertezas quanto aos rumos que o país está tomando. “Em primeiro lugar, não há muita clareza no Brasil em relação a vários pontos. As manifestações populares que aconteceram e estão acontecendo sinalizam, evidentemente, que há algo obscuro para a própria sociedade e, consequentemente, teremos problemas para frente”, disse. “O momento econômico nos preocupa porque o crescimento do país deve ficar bem abaixo do esperado. A inflação está aparecendo e praticamente inexistem investimentos públicos, especialmente em infraestrutura. Se fala muito e se faz pouco. Essa instabilidade nos deixa preocupados porque nós, como cooperativa e como produtores rurais, precisamos continuar produzindo e melhorando a produtividade”, frisou.

Adaptação – De acordo com o presidente da Central Sicredi PR/SP, Manfred Dasenbrock, o momento é desafiador mas o cooperativismo tem demonstrado habilidade em lidar com esse tipo de situação. “O que nos desafia nesse momento é entender a lógica da política econômica do governo que, no ano passado, foi no sentido de baixar as taxas de juros, a Selic. Sabemos isso foi feito artificialmente já que o mercado não comportava essa medida e, agora, está cedendo dentro das pressões de mercado, buscando especialmente o controle da inflação. Por outro lado, acredito que devemos procurar, junto com nossa equipe de profissionais, entender essa lógica do governo, estudar a situação e ter uma reação de curto prazo para que, rapidamente, possamos nos adaptar e seguir na linha das estratégias definidas pelas cooperativas. Estamos otimistas, mesmo entendendo que a política econômica tenha suas variáveis pois isso tem acontecido ao longo da história e as cooperativas sempre tiveram a capacidade de adaptação muito rápida”, ressaltou.

Planejamento - De acordo com Manfred, outro fator que tem pesado favoravelmente ao cooperativismo de crédito é a atuação com base em um bom planejamento e na organização das pessoas, o que tem propiciado um diferencial competitivo importante na prestação dos serviços. “O crescimento de associados continua numa velocidade dentro do esperado e deveremos encerrar 2013 com 700 mil cooperados no Paraná e em São Paulo. Todo mês, uma gama enorme de pessoas está se somando ao Sicredi. Para o segundo semestre nós também entendemos que vamos cumprir com o planejado no passado, ou seja, um crescimento acima de 20% dos ativos, em crédito e em depósitos”, disse. 

Agronegócio – O presidente da Central Sicredi PR/SP lembrou que o otimismo das cooperativas de crédito também ocorre devido ao forte vínculo com o agronegócio. “É um setor que vem correspondendo e que possui mecanismos muito seguros em relação ao crédito, à alavancagem, ao acesso aos recursos e a toda dinâmica que há em torno do setor. Essa é a base de sustentação de inúmeras cooperativas e isso tem dado segurança ao longo do tempo para pensarmos positivamente o próximo ano”, destacou.

Canais de relacionamento– Ainda segundo Manfred, outros fatores contribuem para conservar uma boa perspectiva do Sicredi em relação ao próximo ano, como a implementação de novos canais de relacionamento, os programas de responsabilidade social, entre outros. “Tudo isso faz com que a gente olhe 2014 com otimismo, mesmo entendendo que é um ano que tem a Copa do Mundo e eleições. Mas isso, ao longo da caminhada não tem impactado em nada. Muito pelo contrário, tem oferecido até algumas janelas de oportunidades para otimizar e até mesmo acelerar alguns quesitos em termos de crescimento. Também está vindo na esteira de tudo isso, o próprio fundo garantidor de crédito das cooperativas, algo que vai ajudar na disseminação dos diferenciais das cooperativas e também na própria relação do setor com o sistema brasileiro,  com o Banco Central, com grande perspectiva de ser um canal aberto para discutir os principais desafios que existem no cotidiano das cooperativas de crédito”, concluiu. 

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