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FINANÇAS: Real lidera correção entre emergentes

A melhora para as perspectivas de crescimento da China e a expectativa emfinancas 12 09 2013 torno da possibilidade de uma redução mais moderada dos estímulos monetários do Fed (banco central dos EUA) ser anunciada na próxima semana têm colaborado para reduzir a aversão a risco, com impacto nas moedas de emergentes. Nesse cenário, o real, que foi uma das divisas que mais se desvalorizaram até o mês de agosto, tem se destacado no movimento de correção, ao lado da rupia indiana e do dólar australiano.

Risco - No entanto, apesar da recuperação, analistas dizem que o recente movimento de alta das moedas emergentes é mais uma redução de exposição a risco com a diminuição das posições em dólar após dados fracos do mercado de trabalho americano, do que uma reversão de tendência que mostre um retorno das apostas nessas divisas.

Câmbio - Desde o anúncio pelo BC brasileiro, em 22 de agosto, do programa de injeção diária de liquidez no mercado de câmbio, que pode chegar a US$ 60 bilhões até o fim do ano, o real apresenta a maior valorização em relação ao dólar, comparado com 14 das principais moedas de mercados emergentes. No período, até o dia 10, o dólar acumulou queda de 6,17% em relação ao real, enquanto caiu 2,92% frente ao dólar australiano, e 1,23% em relação à rupia indiana, segundo dados do Investing.com.

Performance - "O real está tendo uma recuperação mais forte porque vinha apresentando uma das piores performances", afirma Italo Lombardi (foto), economista para a América Latina do Standard Chartered Bank.

Cedo - Para o estrategista de mercados emergentes do Brown Brothers Harriman & Co em Londres, Ilan Solot, ainda é cedo para afirmar que há um aumento de fluxo de investimento para moedas emergentes. "Estamos vendo mais os investidores cobrindo posições vendidas em moedas emergentes que um retorno do fluxo para esses ativos." Para Solot, o teto para o dólar em relação ao real já foi atingido quando a moeda americana chegou a ultrapassar o patamar de R$ 2,45 em agosto. "Acho que o real vai ficar nesse patamar de R$ 2,30."

Mais penalizadas - Com o fortalecimento da expectativa, após maio, de que viria em breve uma redução da injeção de liquidez pelo BC dos EUA, as moedas de países com maior vulnerabilidade das contas externas, como Turquia, Índia e Brasil, foram as mais penalizadas pelos investidores. Isso obrigou os bancos centrais desses países a intervirem no mercado de câmbio para tentar controlar uma desvalorização mais acentuada dessas divisas.

Juros - Para ajudar na atração de capitais de curto prazo e conter a inflação, os bancos centrais de Brasil e Indonésia elevaram suas taxas básicas de juros para 9% e 7%, respectivamente. Desde o início do programa de venda diária de dólares, em 22 de agosto, o BC brasileiro já vendeu US$ 9 bilhões em contratos de swap (que equivalem a uma venda de dólar no mercado futuro). Além disso, a autoridade monetária já ofertou mais US$ 5,11 bilhões em linhas de dólar com compromisso de recompra.

Novas volatilidades - Para o economista do Standard Chartered Bank, o real ainda pode enfrentar novas volatilidades no curto prazo e mesmo novas desvalorizações até o final do terceiro trimestre, em resposta aos próximos passos do Fed, devendo encerrar o ano em R$ 2,35.

EUA - Os últimos dados do mercado de trabalho nos EUA, divulgados na sexta-feira, vieram abaixo da previsão dos analistas e ajudaram a reforçar a visão de que o Fed adotará uma postura mais cautelosa na redução das compras mensais de títulos, que hoje somam US$ 85 bilhões por mês, que pode começar, segundo parte dos analistas, na próxima reunião de política monetária, nos dias 17 e 18. "Houve uma melhora de humor, mas ainda é cedo para falar que os investidores estão assumindo posições compradas em moedas emergentes", diz Lombardi.

Notícia positiva - Os analistas destacam, no entanto, que qualquer notícia mais positiva sobre a economia americana, rumores sobre a mudança na presidência do Fed ou um aumento da tensão em relação a uma invasão militar na Síria por parte dos EUA podem gerar novas volatilidades para o mercado de moedas.

Reservas internacionais - O diretor de mercados emergentes e estratégia do Citibank em Londres, Luis Costa, diz que o real pode ter uma performance relativa melhor no curto prazo em relação às moedas do grupo de países mais vulneráveis à mudança da política monetária do Fed, como Índia, Indonésia e Turquia, dada a posição mais confortável das reservas internacionais brasileiras, de US$ 373,404 bilhões. "O real pode até chegar a ser negociado a nível mais baixo que o atual em relação ao dólar no curto prazo, mas ainda há muitas dúvidas em relação à condução da política monetária e a comunicação do governo que afetam o preço dos ativos."

Recomendação neutra - Solot, do Brown Brothers, está com uma recomendação "neutra" para esse grupo de moedas. "Preferimos moedas de países com déficit em conta corrente menor."

Cotação - Nesta quarta-feira (11/09), o dólar fechou em queda de 0,09%, a R$ 2,28, acompanhando a desvalorização da moeda americana no exterior, com a redução dos temores de um ataque militar à Síria. A queda da moeda americana se acentuou nesta quarta-feira após o resultado de leilão promovido pelo Tesouro Nacional, que não aceitou nenhuma proposta de troca de títulos indexados à inflação por Notas do Tesouro Nacional - Série A (NTN-A), títulos públicos federais atrelados ao câmbio. O Tesouro rejeitou a proposta de troca de 1.313.300 em títulos, que equivalem a uma oferta de R$ 3,098 bilhões. Segundo operadores, um investidor institucional havia comprado dólares no mercado futuro esperando vender as NTN-A para o Tesouro. Depois do fracasso da aposta, desmontou as posições. (Valor Econômico)

 

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