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COMÉRCIO EXTERIOR: Argentina e Brasil querem apresentar proposta comum para acordo com UE

comercio exterior 20 09 2013Brasil e Argentina deverão apresentar uma oferta conjunta para um acordo de livre comércio com a União Europeia, segundo afirmou o ministro de Relações Exteriores, Luis Alberto Figueiredo, após se encontrar com o homólogo argentino, Hector Timerman, nesta quinta-feira (19/09) em Buenos Aires. A proposta será feita em nome do Mercosul.

Interesse - Segundo Figueiredo, "há grande interesse do Paraguai e do Uruguai em se incorporarem em uma proposta robusta". O novo chanceler não quis comentar a posição da Venezuela, atual presidente do bloco.

Negociação - Já a Argentina tentará negociar com o Brasil a apresentação de uma única oferta para o acordo, com a mesma velocidade de implantação para os dois países. A meta será conseguir fechar a proposta até a cúpula do Mercosul em Caracas, em dezembro deste ano. O objetivo foi comunicado aos principais dirigentes do setor privado argentino em uma reunião na última segunda, pela ministra da Indústria, Débora Giorgi, segundo relato de dois participantes do encontro.

Lista - Na reunião de segunda-feira, ficou acertado que os empresários entregarão até 15 de outubro a lista com os setores em que o empresariado argentino não concorda com a liberação de tarifas. A resistência a uma abertura é maior no setor privado argentino do que no brasileiro. "Uma proposta conjunta de Brasil e Argentina não necessariamente vai significar uma oferta homogênea. Para a nossa definição, será essencial conhecer a oferta brasileira. Ninguém quer repetir a experiência dos anos 90, com uma abertura abrupta", disse ao Valor Daniel Funes de Rioja, presidente da Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas (Copal).

Maior exportador argentino - A Copal é o mais importante setor exportador argentino, por reunir os processadores de grãos, que representam cerca de 60% das vendas. No ano passado, seus filiados exportaram US$ 27,4 bilhões, sendo US$ 6,4 bilhões para os 27 países da União Europeia. As importações argentinas de alimentos com origem do bloco são insignificantes: não chegam a US$ 500 milhões.

Resistência - Para o restante do setor industrial argentino, a resistência à abertura é maior, porque são setores com relação de comércio deficitária com o bloco europeu. O país exportou para a União Europeia, em 2012, US$ 3 bilhões em produtos industriais sem origem agrícola, uma queda de 21% em relação ao ano anterior, e importou US$ 7,5 bilhões do bloco.

Balança - Em termos globais, a Argentina importou US$ 12,2 bilhões do bloco e exportou US$ 11,7 bilhões no ano passado. "A oferta europeia terá que ser muito generosa no setor agrícola, porque haverá problemas em abrir ainda mais setores como os de bens de capital, autopeças e produtos químicos, farmacêuticos e de tecidos sintéticos", disse Diego Coatz, economista da União Industrial Argentina (UIA).

Barreiras - Em sua passagem nesta quinta por Buenos Aires, Figueiredo também reclamou das barreiras argentinas ao comércio binacional. O chanceler afirmou que o equivalente a 10% do fluxo do comércio entre Brasil e Argentina está retido em função das declarações juradas de antecipação de importações (DJAI), uma formalidade burocrática criada pelo governo argentino no ano passado que, na prática, exige uma autorização para cada operação. De acordo com Figueiredo, o cálculo leva em consideração o intercâmbio do ano passado, de US$ 34,5 bilhões. As exportações brasileiras retidas pela Argentina representariam, portanto, US$ 3,45 bilhões.

Trâmite - "Questões nessa área comercial podem contaminar o intercâmbio como um todo. O problema das DJAI tem que ser resolvido. Temos que agilizar o trâmite nestes casos", disse Figueiredo. O chanceler afirmou que o assunto pode levar a uma migração de exportações a outros mercados. "Quando há entraves no comércio, as partes procuram outros parceiros", disse.

Comunicado conjunto - Logo após o encontro entre Figueiredo e Timerman, as chancelarias do Brasil e da Argentina soltaram um comunicado conjunto em que anunciaram uma ação "frente às atividades de espionagem dos Estados Unidos na região". Segundo o comunicado, a ação irá "avançar no desenvolvimento de ferramentas de ciberdefesa, que protejam as comunicações e o armazenamento de informações estratégicas".

Segunda visita - Essa é a segunda visita de um ministro da presidente Dilma Rousseff para discutir o tema com o governo argentino. Na semana passada, o ministro da Defesa, Celso Amorim, esteve no país. Assim como Amorim, Figueiredo também seria recebido pela presidente Cristina Kirchner, em audiência prevista para a noite de ontem. A Argentina está na presidência temporária do Conselho de Segurança da ONU. Dilma discursará na abertura da assembleia-geral da entidade na próxima semana e abordará o assunto, que levou ao cancelamento da visita de chefe de Estado que a presidente faria aos Estados Unidos em outubro. (Valor Econômico)

 

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