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OPINIÃO: Engenheiro Agrônomo, 80 anos de regulamentação profissional

opiniao 11 11 2013*Luiz Antonio Corrêa Lucchesi

Oitenta anos se passaram desde a promulgação do Decreto 23.196 que, em 12 de outubro de 1933, regulamentou o exercício profissional do engenheiro agrônomo. Naquela época, o então presidente Getúlio Vargas certamente enxergou o potencial que o Brasil possuía para ampliar e tecnificar sua agricultura e a necessidade de se ter profissionais capacitados científica e tecnicamente para conceber, planejar e orientar tecnicamente a concretização de tal visão.

Não obstante em 1878 ter sido instalado, em Cruz das Almas, Bahia, o primeiro Curso de Agronomia do País, e de ter sido o ensino agronômico regulamentado em 1910 quando da criação da ENA, Escola Nacional de Agricultura, hoje Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (km 47), somente muito tempo depois é que houve a regulamentação desta importante e vital profissão para o Brasil.

Do final do século XIX ao início do século XXI muitas escolas de Agronomia foram criadas e milhares de engenheiros agrônomos foram por elas formados. Com eles se estruturou políticas e programas de desenvolvimento agrícola, empreendimentos e  instituições que fizeram do Brasil uma das maiores potências agrícolas do planeta!

Os números derivados desta criação são incontestáveis. Como exemplo pode-se citar o caso da soja. Se por um lado o sucesso do cultivo desta leguminosa é fruto do trabalho dos heróicos agricultores brasileiros e de suas organizações, de outro, a produtividade média desta cultura, hoje entre as mais altas do mundo, só foi conseguida com a utilização de resultados de pesquisa obtidos com o emprego da Ciência Agronômica, tornando o Brasil numa referência mundial em agricultura tropical.

Há poucos anos atrás isto não ocorria. Foi por meio da ciência agronômica e do trabalho de assistência técnica e de extensão rural dos engenheiros agrônomos aos agricultores que a cultura da soja e um sem número de outras foram adaptadas a outrora hostis ambientes, permitindo a expansão, a diversificação e o aprimoramento, do Oiapoque ao Chuí, da produção animal e vegetal brasileira que hoje, com produtos de qualidade, abastece  nossas mesas, nossa indústria e até mesmo nossa rede de transmissão de energia elétrica e a crescente frota de veículos, gerando renda  e divísas que ativam nossa economia num ambiente global altamente competitivo.

Sim, a pujança da agricultura brasileira hoje estampada em jornais de todo o mundo, está respaldada em conhecimentos que congregam o manejo de solos e da água, a nutrição vegetal e animal, a genética e o melhoramento de plantas e de animais, a biologia molecular, o controle integrado de pragas e doenças, a geodésia, a informática e a agricultura de precisão, a economia agrícola, a engenharia rural e  tantos outros apreendidos pela agronomia que nos bancos escolares, nos campos experimentais e escritórios estão sendo convertidos em tecnologias cuja aplicação tem como resultado o que aí se apresenta na força do agronegócio brasileiro.

A visão holística proporcionada pelas boas escolas de Agronomia que impera na formação de engenheiros agrônomo brasileiros tem permitido a estes profissionais liderar ações de desenvolvimento nas mais remotas regiões, e propor soluções inovadoras e sustentáveis para o abastecimento de água, para a segurança alimentar e para a logística reversa de resíduos sólidos das grandes metrópoles.

Mas nem tudo são flores e o sucesso de nossa agricultura tem também gerado grandes problemas. Os engenheiros agrônomos, com sua visão empreendedora, preparação técnica-científica, consciência cidadã e ética profissional continuarão a contribuir para com o enfrentamento destes novos desafios e com isso para com o desenvolvimento de nosso País!

Desta forma, sempre prontos a servir, os engenheiros agrônomos comemoram neste 12 de outubro de 2013, além do Dia da Padroeira e do Dia da Criança também o seu dia!

Parabéns a todos os colegas engenheiros agrônomos!

*Luiz Antonio Corrêa Lucchesi, Ph.D., Vice-presidente para a Região Sul da Confaeab - Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil, Presidente da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná, Diretor de Política Profissional da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná - Curitiba, Professor do Departamento de Solos e Engenharia Agrícola da Universidade Federal do Paraná/ Setor de Ciências Agrárias

 

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