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CONFERÊNCIA ACI-AMÉRICAS II: Roberto Rodrigues fala sobre os desafios da década do cooperativismo

conferencia II 14 10 2013O embaixador especial da FAO para o cooperativismo mundial e coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, proferiu palestra magna na sexta-feira (11/10), último dia da Conferência Internacional da ACI-Américas. Único brasileiro a já ter presidido a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Rodrigues falou cerca de uma hora, em espanhol, sobre os rumos do cooperativismo internacional. Bem humorado, falou sobre o atual cenário de transformação mundial e sobre o papel do cooperativismo para o desenvolvimento sustentável do planeta. Confira:

 Incertezas - “Vivemos um momento de incertezas no cenário internacional. Após a crise financeira internacional de 2008/2009, os países ricos começaram a se recuperar e as nações em desenvolvimento estão tentando encontrar seu espaço. Mas ainda impera um clima de incertezas no ar. Temos a questão dos ataques químicos da Síria, o naufrágio de imigrantes na costa italiana e, agora, estamos vendo ataques de piratas no Atlântico. Nosso Papa Francisco tem contestado o império do dinheiro e vem mostrando querer mudanças na sociedade. Nesse cenário, o cooperativismo tem a oportunidade de despontar como uma terceira via de desenvolvimento sustentável”.

Terceira via - "As cooperativas são filhas da crise. Foi assim em Rochadale (berço da primeira cooperativa do mundo, na Inglaterra), foi assim após a queda do muro de Berlim. E é nesse novo momento de crise e de transformações que o cooperativismo vai se consolidar como a terceira via do desenvolvimento. Temos de abraçar essa oportunidade para crescer e ganhar visibilidade".

Desenvolvimento - "Todo mundo sabe que, em breve, seremos mais de 9 bilhões de pessoas no mundo e teremos de dobrar a produção de alimentos para conseguir alimentar todas essas pessoas. E esse aumento de produção tem de ser feito sem impactar o meio ambiente, sem poluir as águas, sem aumentar o efeito estufa. E precisamos, sim, cuidar do meio ambiente. Mas também temos de continuar a produzir e a crescer. Não é um desafio fácil, mas o cooperativismo tem ferramentas para nos ajudar a vencer esse e outros desafios".

Como nos posicionar? - "Somos empresas, sim. Não temos de fugir disso. Mas somos empresas que trazem felicidade para as pessoas. Somos empresas com valores. E não temos de viver nesse embate sobre o que é mais importante: a preocupação social ou os resultados econômicos. Temos de fazer um balanço entre esses dois importantes atributos. Temos de assumir nossas fraquezas e transformá-la em força. Somos empresas, sim. Mas empresas baseadas em valores humanos, na justiça e na ética.  E temos de fazer marketing, sim. Mas com o seguinte cuidado: temos de fazer propaganda dos nossos valores. Não apenas dos nossos produtos".

Prêmio Nobel - "Além de nos posicionar de uma forma mais forte no mercado, quero ver os cooperativistas de todo o mundo defendendo a candidatura do cooperativismo ao Prêmio Nobel da Paz. Precisamos trabalhar, juntos, por esse reconhecimento. Cada cooperado e cada cooperativa do mundo de tem de fazer a sua parte para reconhecer e valorizar nosso trabalho pela paz."

Homenagens - "Estamos em ano de eleição na ACI e, como cooperativistas, vamos defender o nome do Dr. Eudes Aquino, presidente da Unimed do Brasil, para ocupar o cargo de conselheiro da ACI. Essa posição é ocupada hoje por Américo Utumi, meu amigo há mais de 40 anos e, hoje, um herói nacional do cooperativismo". (Informe OCB)

 

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