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GRÃOS: Paraná mantém estimativa de safra recorde, mesmo com redução de milho da segunda safra

graos 01 07 2022O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paran√°, fechou junho com estimativa de pequena redu√ß√£o na produ√ß√£o de milho da segunda safra 2021/22, o que contribui para baixar, nos mesmos patamares, a previs√£o da safra paranaense. A proje√ß√£o agora √© que ser√£o produzidos pouco mais de 36,2 milh√Ķes de toneladas contra 36,8 milh√Ķes de toneladas previstas em maio. Ainda assim, se trata de uma safra recorde. A √°rea de plantio √© de quase 10,9 milh√Ķes de hectares.

Bons crescimentos - O chefe do Departamento de Economia Rural, Marcelo Garrido, destacou os bons crescimentos projetados para alguns produtos, em rela√ß√£o √† safra anterior, particularmente as culturas de milho e de feij√£o. ‚Äú√Č importante observar que, apesar dos problemas enfrentados pelo agricultor, sobretudo os clim√°ticos, a persist√™ncia e a vontade de semear a terra venceram e novamente vislumbramos recordes em alguns produtos‚ÄĚ, afirmou.

PSS - A Previs√£o Subjetiva de Safra (PSS), apresentada nesta quinta-feira (30/06) pelos t√©cnicos do √≥rg√£o, aponta que a produ√ß√£o de milho nesta segunda safra deve ficar em torno de 15,4 milh√Ķes de toneladas. √Č uma redu√ß√£o de 700 mil toneladas em rela√ß√£o √† proje√ß√£o inicial de 16,1 milh√Ķes de toneladas. Mas ser√° 170% superior ao colhido na safra anterior, muito afetada pelas condi√ß√Ķes clim√°ticas adversas, e que ficou em 5,7 milh√Ķes de toneladas.

Ajuste - ‚ÄúA estimativa desse ajuste na produ√ß√£o em rela√ß√£o a maio est√° tamb√©m ligada a fatores clim√°ticos pontuais e a doen√ßas na lavoura, especialmente a cigarrinha‚ÄĚ, afirmou o analista de milho no Deral, Edmar Gerv√°sio. Segundo ele, foram plantados 2,7 milh√Ķes de hectares neste ciclo no Paran√°, o que representa 8% a mais que na segunda safra anterior, e a colheita est√° apenas come√ßando, com 6% de √°rea efetivada. ‚ÄúDe modo geral, √© √≥tima safra, com recupera√ß√£o de estoques, que estavam afetados pelos problemas dos ciclos anteriores, e um alento para regi√Ķes que consomem mais milho.‚ÄĚ

Feij√£o - O feij√£o de segunda safra paranaense deve ter a colheita encerrada nos pr√≥ximos dias. A tend√™ncia √© que se confirme o aumento expressivo de 95% na produ√ß√£o, em compara√ß√£o com a segunda safra do per√≠odo 2020/21, chegando a 557 mil toneladas. De acordo com o analista do produto no Deral, economista Methodio Groxko, a melhora nas condi√ß√Ķes clim√°ticas durante esta semana possibilitaram a intensifica√ß√£o no trabalho de colheita, que atingiu 96% da √°rea de 318 mil hectares.

Qualidade - Segundo Groxko, a qualidade do produto tamb√©m √© boa, com pouca influ√™ncia do per√≠odo chuvoso no que est√° colhido. ‚ÄúTeremos uma safra recorde e o Paran√° deve ser respons√°vel por cerca de 40% da segunda safra nacional‚ÄĚ, disse. ‚ÄúO mercado est√° abastecido, a comercializa√ß√£o est√° lenta e os pre√ßos recebidos pelos produtores est√£o diminuindo.‚ÄĚ

Valor - Entre os dias 20 e 24 de junho, o produtor recebeu, em média, R$ 330,00 pela saca de 60 quilos do feijão de cor, o que representa queda de 6% em relação à semana anterior. O feijão-preto também teve o mesmo percentual de queda, se estabelecendo em R$ 192,00.

Caf√© - A colheita do caf√© no Paran√° atingiu 40% da √°rea produtiva estimada em 27 mil hectares. ‚ÄúEst√° em ritmo razo√°vel, dentro da m√©dia hist√≥rica para o final de junho‚ÄĚ, disse o economista Paulo Sergio Franzini, analista de caf√© no Deral. Segundo ele, as geadas devem provocar quebra significativa de 30% a 40% na produ√ß√£o, mas neste momento ainda n√£o √© poss√≠vel uma an√°lise mais apurada.

Colheita - A colheita, que √© na maior parte manual e usa bastante m√£o de obra, est√° mais cara este ano, em raz√£o da menor produ√ß√£o e pela necessidade de ser mais cuidadosa para que n√£o fiquem gr√£os no p√© ou no ch√£o, o que ajuda a evitar a broca, uma das principais pragas da cultura, para o pr√≥ximo ano. No entanto, os pre√ßos est√£o estabilizados, em m√©dia acima de R$ 1,1 mil a saca. ‚Äú√Č um pre√ßo que remunera a atividade, mesmo com o aumento do custo de produ√ß√£o‚ÄĚ, ponderou Franzini.

Trigo - A PSS de junho mant√©m a expectativa de que sejam plantados em torno de 1,17 milh√£o de hectares de trigo no Estado, com previs√£o de se colher 3,9 milh√Ķes de toneladas. Se for confirmada, a produ√ß√£o ser√° 20% superior √† da safra anterior, ainda que a √°rea plantada seja 5% inferior. A colheita j√° teve in√≠cio mais ao Sul do Estado, mas ainda representa menos de 0,1% da √°rea total.

Fases - ‚ÄúNo geral, a safra ainda deve demorar a ganhar volume, pois n√£o h√° √°reas significativas em enchimento de gr√£os ou matura√ß√£o‚ÄĚ, disse o agr√īnomo Carlos Hugo Godinho, analista da cultura no Deral. Segundo ele, as lavouras mais adiantadas est√£o em flora√ß√£o, representando 7% do total. ‚ÄúEssas √°reas est√£o mais no Norte do Estado, onde n√£o h√° previs√£o de geadas para os pr√≥ximos dias‚ÄĚ, ponderou.

Cevada e mandioca - Uma das culturas de inverno no Paran√°, a cevada est√° em fase final de plantio. Com o tempo mais firme nos √ļltimos dias, os produtores apressaram o plantio e ao menos 90% da √°rea total de 76 mil hectares j√° est√° semeada. A expectativa √© produzir pouco mais de 353 mil toneladas, o que representa aumento de 19% em rela√ß√£o ao per√≠odo anterior. ‚ÄúCerca de 30% da produ√ß√£o estimada j√° est√° comercializada, devido aos fomentos das cooperativas para a produ√ß√£o de malte‚ÄĚ, disse o agr√īnomo Rog√©rio Nogueira, analista do Deral.

Perda de √°rea - A cultura da mandioca perdeu 3% da √°rea em rela√ß√£o √† safra passada e est√° com 130 mil hectares plantados agora, com previs√£o de produ√ß√£o de 2,9 milh√Ķes de toneladas. Com menos chuvas nas √ļltimas semanas, a colheita avan√ßou e 50% da produ√ß√£o j√° foi retirada do campo. No caso do pre√ßo m√©dio recebido pelos produtores para entrega √† ind√ļstria, o aumento observado neste m√™s √© 75% superior ao que se recebia no ano passado. De R$ 467,00 passou √† m√©dia de R$ 815.

Boletim semanal - Nesta quinta-feira (30/06), o Deral tamb√©m divulgou o Boletim de Conjuntura Agropecu√°ria referente √† semana de 24 a 30 de junho. Al√©m de discorrer sobre as principais culturas a campo nesta safra, ele analisa os pre√ßos da pecu√°ria de corte, tanto para o produtor quanto no varejo. O documento tamb√©m registra dados da Pesquisa Trimestral de Produ√ß√£o de Ovos (POG), do IBGE, que chegou a 977,20 milh√Ķes de d√ļzias no per√≠odo.

Carnes - Com base nos n√ļmeros da Secretaria de Com√©rcio de Rela√ß√Ķes Internacionais, do Minist√©rio da Agricultura, Pecu√°ria e Abastecimento, o documento mostra que o setor de carnes, depois do complexo soja, se mostrou o mais representativo nas exporta√ß√Ķes do agroneg√≥cio brasileiro nos cinco primeiros meses deste ano. Esses mesmos dados apontam que o Paran√° exportou 2,5 mil toneladas de pescados entre janeiro e maio. No ano passado todo, a exporta√ß√£o desse produto atingiu 2,2 mil toneladas. (Ag√™ncia Estadual de Not√≠cias)

FOTO: Gilson Abreu / AEN

 

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