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ENCONTRO ESTADUAL IX: Horizonte de incertezas e de indefinições recomenda cautela

encontro gianetti II 03 12 2021O cenário do mundo pós-pandemia que se anuncia há ainda algumas indefinições quanto a alguns aspectos, no curto e médio prazo, segundo o economista Eduardo Gianetti, que, entre os pontos que despertam muita atenção e não há clareza quanto ao que esperar deles num futuro próximo, elenca três incertezas relacionadas à luta contra o vírus da Covid-19. “São incertezas que nos confrontam e que não estão definidas ainda. Por isso, teremos de monitorá-las ao longo dos próximos meses ou, talvez dos próximos anos”, alertou.

Cautela – Apesar de as estatísticas comprovarem que as vacinas diminuem, expressivamente, os casos graves e a mortalidade causada pela Covid-19, Gianetti, ponderou que é cedo para achar que está tudo sob controle, como se a páginas “já tivesse sido virada e vitória concluída em relação a esse período que se abriu em março de 2020, com a pandemia”. Por isso, alertou que vários países europeus, como Áustria e Alemanha, estão vivendo ao que parece ser a 4ª onda da Covid, posterior à variante Delta. “Estamos numa ‘corrida armamentista’, tendo de um lado a engenhosidade humana, que, nos permitiu em tempo recorde, termos uma família de vacinas muito eficazes na redução das fatalidades, mas de outro lado existe um vírus que, por um processo de seleção natural, sofre mutações que, em alguns casos, conseguem driblar essas barreiras imunológicas. Portanto, essa batalha ainda está em andamento. Vencemos alguns momentos, mas a guerra continua. Felizmente, hoje temos as vacinas, mas considero prematuro afirmar que o mundo já terminou essa etapa e que está imune ou acima de uma recaída”, ponderou.

Dilema – O economista apontou a segunda incerteza: Como reagirá a economia mundial no momento que as políticas fiscal e monetária, muito agressivas durante a emergência da pandemia, forem gradualmente atenuadas, como já estão sendo, e, eventualmente, suspensas? Segundo ele, não está claro como será o processo de normalização tanto da política monetária e fiscal e como o FED (Banco Central norte-americano) ira se comportar, para não precipitar aumento de juros, com reflexos negativos nos países mais endividados e nos emergentes, ao mesmo tempo em que lidará para evitar que a inflação, que “hoje já é realidade nos Estados Unidos, se enraíze e se torne endêmica”. Pontuou ainda que o FED está diante de um dilema: o enfrentamento do processo inflacionário, sem precipitar o aumento de juros, que pode causar o estouro de uma bolha de ativos, que atualmente estão muito valorizados no mundo por conta da enorme liquidez que foi dada ao sistema com todo o endividamento criado neste período. Esclareceu que os ativos no mundo todo – bolsa de valores, criptomoedas, imóveis  – estão muito valorizados porque o juro norte-americano é baixo. No entanto, o aumento de juros nos EUA implicará na desvalorização desses papéis. “E eventualmente vai haver um estouro de bolha. Estamos diante de um dilema.”

Comportamento – Gianetti cita o comportamento humano, área que também tem sido objeto de suas pesquisas, como uma das incertezas no pós-pandemia. Segundo ele, há duas possibilidades de comportamento ao final dos períodos de adversidades, como o atual: “De prudência e de extravasamento. Diante de uma situação de incerteza muito aguda, as pessoas se tornam prudentes, têm medo do futuro, querem estar preparadas para contingências inesperadas, como essa gravíssima que acabou de ocorrer, e, portanto, se tornam muito avessas ao risco. Os consumidores retardam decisões para renovar equipamentos e bens de consumo duráveis, os investidores se tornam cautelosos antes de empatarem recursos em novas plantas, em novas máquinas, em centrais de produção. Prevalece, portanto, no pós-pandemia, um comportamento defensivo, prudencial. Na outra ponta, há aqueles que, ao final do período crítico, adotam comportamento de descompressão, de recuperar o ‘tempo perdido’ e que, de certa maneira, privilegiam muito viver o momento, até porque o futuro se tornou muito incerto. E muitos viram a morte de perto, entre familiares e conhecidos. Por isso, há um exacerbamento da vontade de viver e aproveitar as coisas da vida num momento em que sentem que a normalidade voltou e que o período triste, sombrio, vai ficando para trás.”

 

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