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SECA II: Com estiagem, agricultura paranaense estima redução nas safras de soja, milho e feijão

graos 06 01 2021A crise h√≠drica, que j√° se estende de forma mais severa desde meados de 2019 no Paran√°, somada √† temperatura ambiente e de solo excessivamente elevada, ampliou a estimativa de perdas para o setor agr√≠cola do Estado. Um levantamento preliminar aponta que o valor nas tr√™s principais culturas do per√≠odo ‚Äď soja, milho e feij√£o ‚Äď est√° em torno de R$ 24 bilh√Ķes, com tend√™ncia de aumento.

Dimens√£o - No final de janeiro, quando o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, consolidar os n√ļmeros ser√° poss√≠vel dimensionar o preju√≠zo de forma mais concreta em cada uma das regi√Ķes. Al√©m dessas culturas, o novo relat√≥rio deve registrar redu√ß√£o tamb√©m em outras atividades agr√≠colas, entre elas batata, tabaco e frutas.

Evolu√ß√£o - ‚ÄúAs perdas conferidas pelos t√©cnicos no campo est√£o sendo surpreendentes e em evolu√ß√£o. Refizemos algumas contagens nos √ļltimos dias e os valores s√£o superiores aos que t√≠nhamos verificado e anunciado anteriormente‚ÄĚ, disse o secret√°rio da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. ‚Äú√Č uma perda muito relevante para nossa economia, certamente uma renda que far√° falta.‚ÄĚ

Situa√ß√£o de emerg√™ncia - Para possibilitar tomadas de medidas de forma mais √°gil e ajudar agricultores e outras categorias de profissionais afetadas pela estiagem no Estado, o governo decretou situa√ß√£o de emerg√™ncia. ‚ÄúPermite que os agricultores fa√ßam minimamente renegocia√ß√Ķes com fornecedores e com bancos, e estamos atentos, junto com os munic√≠pios, para que possamos enfrentar as dificuldades de abastecimento de √°gua para animais, para humanos, para a produ√ß√£o‚ÄĚ, afirmou Ortigara.

Reuni√Ķes - O secret√°rio j√° participou de duas reuni√Ķes, que tamb√©m tiveram representantes de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com t√©cnicos do Minist√©rio da Agricultura, Pecu√°ria e Abastecimento (Mapa). O objetivo √© encontrar solu√ß√£o de forma conjunta para amenizar os preju√≠zos para os produtores. ‚ÄúQueremos acelerar o processo de avalia√ß√£o de Proagro, de seguro, para aqueles que t√™m direito‚ÄĚ, disse. O Governo do Paran√° j√° conversa com as seguradoras que atendem o Estado.

Sem cobertura - No entanto, uma grande parte dos produtores ainda n√£o tem cobertura de seguro para suas culturas. ‚ÄúRenovamos mais uma vez a sugest√£o aos agricultores para que utilizem esse instrumento que garante mais seguran√ßa em casos como esse‚ÄĚ, sugeriu Ortigara.

Culturas - De forma preliminar, estima-se que, at√© agora, a soja, principal cultura deste per√≠odo na safra 2021/22, teve percentual de perdas de 37%. Inicialmente, projetou-se colheita de pouco mais de 21 milh√Ķes de toneladas. No entanto, pelo levantamento desta quarta-feira (05), aproximadamente 7,9 milh√Ķes n√£o ser√£o mais colhidas, restando uma produ√ß√£o de 13 milh√Ķes de toneladas. Somente nessa cultura, a estimativa de preju√≠zo monet√°rio √© de R$ 21,5 bilh√Ķes.

Soja - A soja está toda plantada no Paraná. De acordo com o boletim de plantio e colheita, a lavoura está com 13% em desenvolvimento vegetativo, 31% em floração, 49% em frutificação e 7% em maturação. Entre o documento divulgado nesta terça-feira (03) e o anterior, de 20 de dezembro, o percentual de soja em situação ruim aumentou de 13% para 31%, em condição média subiu de 30% para 39%, enquanto a boa caiu de 57% para 30%.

Milo primeira safra - No milho de primeira safra, a previs√£o ainda parcial √© de que haver√° quebra de 34%, baixando das 4,2 milh√Ķes de toneladas previstas inicialmente para 2,7 milh√Ķes de toneladas. Os produtores deixar√£o de receber R$ 2 bilh√Ķes. Do milho que est√° semeado, a condi√ß√£o de ruim subiu de 10% para 25% da lavoura. Em situa√ß√£o m√©dia encontram-se 40%, contra 27% em 20 de dezembro. Enquanto o percentual de boa baixou de 63% para 35%.

Condi√ß√Ķes - Em campo, 6% est√£o em desenvolvimento vegetativo, 28% em flora√ß√£o, 53% em frutifica√ß√£o e 13% em matura√ß√£o. A expectativa dos produtores √© que a chamada safrinha de milho, a principal para essa cultura no Paran√°, que come√ßou a ser plantada em janeiro e se estende at√© mar√ßo, dependendo da regi√£o do Estado, se desenvolva em condi√ß√Ķes normais e alcance o volume esperado de 15 milh√Ķes de toneladas.

Feij√£o primeira safra - Entre as culturas mais importantes deste per√≠odo, tamb√©m se destaca o feij√£o de primeira safra, que tem 100% da √°rea plantada e 38% j√° colhida. Do que permanece no campo, 9% est√£o em flora√ß√£o, 43% em frutifica√ß√£o e 48% em matura√ß√£o. Mas as condi√ß√Ķes de desenvolvimento da cultura se alteraram bastante. Enquanto 6% estavam em situa√ß√£o ruim; 35% m√©dias e 59% boas, em 20 de dezembro, agora 20% est√£o ruins; 45%, m√©dias e 35%, boas. A estimativa parcial √© de redu√ß√£o de 107,6 mil toneladas (39%) na produ√ß√£o inicial de 275.795 toneladas. Em valores, a perda deve superar R$ 429,2 milh√Ķes.

Simepar - De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paran√° (Simepar), h√° fen√īmenos clim√°ticos capazes de alterar de forma expressiva a circula√ß√£o geral do sistema terra-oceano e, por consequ√™ncia, modificar o regime de chuvas e a temperatura m√©dia do ar. Um desses fen√īmenos √© conhecido por El Ni√Īo, quando as √°guas do Oceano Pac√≠fico Equatorial est√£o mais quentes que o normal. Ou em sua fase negativa, a La Ni√Īa, com √°guas mais frias e que ocasiona irregularidade nas chuvas sobre o Paran√°.

Primeiro semestre de 2019 - Levantamento do Simepar aponta que, no primeiro semestre de 2019, o Pac√≠fico estava na fase quente. A partir do segundo, voltou a valores muito pr√≥ximos do normal para a regi√£o, permanecendo assim at√© meados de 2020. No entanto, logo depois houve o resfriamento, com atua√ß√£o do evento La Ni√Īa. Isso afetou o clima no Paran√° nas esta√ß√Ķes de primavera 2020, e ver√£o e outono de 2021. A primavera de 2021 tamb√©m foi muito influenciada pelo La Ni√Īa, com pouca chuva no Estado, o que deve se estender pelo ver√£o de 2022.

Influ√™ncia nas regi√Ķes - No relat√≥rio, o instituto paranaense de meteorologia analisou a influ√™ncia dos fen√īmenos clim√°ticos nas regi√Ķes de Ponta Grossa (Campos Gerais), Guarapuava (Centro-Sul), Cascavel (Oeste) e Pato Branco (Sudoeste), que est√£o entre os principais polos agr√≠colas do Estado, no per√≠odo de janeiro de 2019 a 29 de dezembro de 2021. Em Cascavel, houve registro de chuva abaixo da m√©dia hist√≥rica em 25 meses (69,4%), mas nos tr√™s anos observou-se per√≠odos prolongados de anomalia, inclusive na primavera e ver√£o, esta√ß√Ķes mais chuvosas. O desvio negativo em milimetragem de chuva foi de 27,3%.

Guarapuava - Na região de Guarapuava, dos 36 meses, 24 apresentaram chuva abaixo da média e períodos persistentes de anomalia negativa. Nos três anos, o esperado era 5.315,4 milímetros de chuvas. No entanto, choveu efetivamente 4.302,6 milímetros, desvio de 19,1%. Pato Branco teve comportamento semelhante. Foram 23 meses com anomalias negativas de precipitação, com alguns períodos bastante críticos. O desvio negativo em relação à chuva esperada para os três anos foi de 25,4%.

Ponta Grossa - Em Ponta Grossa, choveu 22,7% a menos nos tr√™s anos pesquisados do que aquilo que se projetava para o per√≠odo, levando em conta o hist√≥rico. Dos 36 meses, apenas sete registraram chuva em valores pr√≥ximos ou acima da m√©dia. Al√©m disso, a temperatura m√©dia do ar apresentou grandes varia√ß√Ķes. Durante 12 meses, observaram-se anomalias de temperatura m√©dia positiva, em 15 meses foram negativas, e em nove ficaram pr√≥ximo de zero grau ou dentro da normalidade. (Ag√™ncia de Not√≠cias do Paran√°)

FOTO: Gilson Abreu / AEN

 

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