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GRÃOS: Alta de fretes em MT já chega a quase 40%

frete 27 09 2012A entrada em vigor da nova lei trabalhista dos caminhoneiros, o aumento do diesel e o aquecimento da procura por ve√≠culos provocaram forte aumento dos pre√ßos dos fretes para o transporte de gr√£os em Mato Grosso. Entre janeiro a agosto, a m√©dia foi quase 40% superior √† praticada no mesmo per√≠odo de 2011, enquanto em todo o pa√≠s chegou a cerca de 20%. E a expectativa √© que novos reajustes aconte√ßam nos pr√≥ximos meses, quando a fiscaliza√ß√£o da lei trabalhista ficar mais intensa. Com isso, o escoamento da produ√ß√£o da segunda safra (safrinha) de milho do Estado, que caminhava a passos largos, foi praticamente paralisada nas √ļltimas duas semanas.

Pausa - "As transportadoras j√° v√™m repassando esses aumentos desde maio, mas houve uma pausa em setembro", diz Cl√©ber Noronha, analista do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecu√°ria (Imea). "A lei trabalhista foi a principal causa do aumento, mas n√£o a √ļnica". A Lei n¬ļ 12.619, de 30 de abril de 2012 e que entrou em vigor em 17 de junho, determina que o motorista profissional trabalhe no m√°ximo dez horas di√°rias ao volante, com descansos de 30 minutos a cada quatro horas e paradas de 11 horas durante a noite.

Resolu√ß√£o - Uma resolu√ß√£o do Conselho Nacional de Tr√Ęnsito (Contran) de duas semanas atr√°s determinou que o Minist√©rio do Trabalho e o Minist√©rio do Transporte indiquem os locais em que o caminhoneiro pode descansar nas estradas e recomendou que n√£o haja multas referentes nesta frente at√© que esses locais seja definidos, por isso os pre√ßos n√£o subiram em setembro como se imaginava. Mas a resolu√ß√£o n√£o altera a lei. "Quando a fiscaliza√ß√£o come√ßar de fato e quando a colheita de soja tiver in√≠cio, em fevereiro, os pre√ßos poder√£o subir mais 20%", diz Jos√© Machado Diniz Neto, presidente da ATR Brasil, que representa transportadores com foco no agroneg√≥cio.

Custos operacionais - Segundo a NTC&Log√≠stica, os custos operacionais das transportadoras para o agroneg√≥cio (carga de lota√ß√£o) aumentar√£o 28% com a nova lei, para R$ 132,30 a tonelada de carga para dist√Ęncias m√©dias de 800 quil√īmetros. Em dist√Ęncias mais curtas, pr√≥ximas a 400 quil√īmetros, o impacto ser√° de 30,62%, para R$ 86,89 a tonelada de carga. J√° para dist√Ęncias muito longas (mais de 6 mil quil√īmetros), a alta prevista √© de 26,35%, para R$ 722,70. Segundo a empresa, se n√£o fosse a nova lei o custo do frete seria at√© menor que h√° cinco anos. Em agosto de 2007, o custo para o transportador era de R$ 106,34 a tonelada para a m√©dia de 800 quil√īmetros, de R$ 68,16 para 400 quil√īmetros e de R$ 566,38 para a m√©dia de 6 mil quil√īmetros.

Aumentos sazonais - Machado Diniz concorda com os dados da NTC e explica que, no agroneg√≥cio, os aumentos s√£o sazonais - maiores no per√≠odo de colheita e menores na entressafra -, mas que em geral mantinham-se est√°veis h√° cerca de sete anos. "At√© este ano, mesmo altera√ß√Ķes importantes como o fim da carta-frete para pagamento dos caminhoneiros n√£o criaram custos t√£o elevados para os transportadores, e o excesso de concorrentes mantinha os pre√ßos est√°veis", diz. "Entretanto, a nova lei, que vai exigir muitas pausas do caminh√£o, vai diminuir a disponibilidade de ve√≠culos e fazer o pre√ßo do frete subir. √Č a lei da oferta e demanda".

Mercado internacional - Embora os percentuais dos aumentos sejam expressivos, a alta dos pre√ßos das commodities agr√≠colas no mercado internacional fez o peso do frete cair no custo final dos produtores. No Paran√°, por exemplo, historicamente o peso do frete para o transporte de soja varia de 8% a 10% do valor final; para o milho, entre 18% e 22%. Atualmente, esses pesos s√£o de 5,6% e 15%, respectivamente. "√Č um momento diferente para o setor porque os pre√ßos agr√≠colas est√£o muito elevados, mas normalmente o cen√°rio n√£o √© t√£o positivo", afirma Fl√°vio Turra, analista t√©cnico da Ocepar, entidade que representa as cooperativas do Paran√°.

C√°lculo - Para o c√°lculo, o analista levou em conta a dist√Ęncia m√©dia de 400 quil√īmetros (entre Maring√° ou Campo Mour√£o at√© o porto de Paranagu√°, por exemplo), um frete de R$ 70 por tonelada e os valores pagos pelas sacas de 60 quilos de soja e milho no dia 28 - R$ 75 e R$ 28, respectivamente. Em Mato Grosso, o frete tem maior impacto, j√° que as dist√Ęncias para o escoamento s√£o maiores. "Calcula-se que, para a soja de Rondon√≥polis sair por Paranagu√°, de 20% a 25% do valor do produto final seja frete", afirma Nelson Costa, superintendente adjunto da Ocepar.

Tempo das viagens - Segundo Jos√© Carlos Silvano, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Log√≠stica (Setcergs), a lei dos caminhoneiros, al√©m de elevar o frete, far√° subir o tempo das viagens em 56%, em m√©dia, e provocar a falta de caminh√Ķes. Essa escassez j√° afeta Mato Grosso, diz Osvaldo Pasqualotto, presidente do Sindicato Rural de Rondon√≥polis. " At√© o fim de agosto, 70% da produ√ß√£o de milho do Estado havia sido vendida. Agora, os outros 30% est√£o presos na m√£o dos produtores porque eles n√£o conseguem vender √†s tradings, que dizem n√£o conseguir movimentar a carga de milho". Por isso, diz o sindicalista, a saca de milho que era vendida em Rondon√≥polis por R$ 25 at√© o m√™s passado n√£o sai mais nem por R$ 23.

RS - No Rio Grande do Sul, n√£o h√° excesso de produtos para escoamento no momento, mas as negocia√ß√Ķes com as transportadoras j√° mostram um impacto de 28,9% no custo do frete para o transporte de produtos do agroneg√≥cio nos √ļltimos dois meses, diz Silvano. No Paran√°, o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura calcula apenas quanto o produtor gasta at√© o cerealista mais pr√≥ximo (raio m√©dio de 30 quil√īmetros). Neste caso, o reajuste m√©dio de janeiro a agosto sobre o mesmo per√≠odo de 2011 foi de 10%, para R$ 19,53 a tonelada.

Estudo - A Ocepar, que acompanha os valores a partir dos cerealistas ou das grandes tradings at√© a ponta final, ainda n√£o compilou os dados sobre frete, mas informou que est√° fazendo um estudo amplo sobre os impactos da lei dos caminhoneiros para os cooperados paranaenses. "Sabemos que o frete aumentou depois da nova lei nos patamares que dizem por a√≠ [20%], mas seria leviano garantir esse valor", diz Jo√£o Gogola Neto, coordenador de desenvolvimento da Ocepar. (Valor Econ√īmico)

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