Ano Internacional das Cooperativas será encerrado com resultados positivos no PR
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2025 é especial para o cooperativismo, por ter sido declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como Ano Internacional das Cooperativas, e deverá ser finalizado no Paraná com resultados positivos. “Com base nos balancetes encerrados até outubro e considerando as projeções até o encerramento do exercício, estima-se que o cooperativismo paranaense atinja neste ano receitas totais de R$ 220 bilhões, representando um crescimento nominal em torno de 8% em relação ao ano de 2024”, afirmou o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, em seu pronunciamento, ao abrir o Encontro Estadual de Cooperativistas Paranaenses, na manhã desta sexta-feira (28/11), no Parque Histórico de Carambeí, nos Campos Gerais.
Falando para cerca de 1.600 cooperativistas, além de autoridades, parlamentares, lideranças cooperativistas e demais convidados, Ricken enfatizou ainda que, mais uma vez, as cooperativas do Paraná demonstraram sua capacidade de resiliência, profissionalização e planejamento estratégico, já que o setor conseguiu manter-se em expansão apesar do cenário adverso.
“O ano de 2025 foi desafiador para todos nós. Enfrentamos eventos climáticos severos, juros elevados, que encareceram e limitaram o crédito e a expansão de investimentos estratégicos. Fomos impactados por restrições em mercados internacionais, especialmente por barreiras e taxações aplicadas por países parceiros e, ainda, tivemos de lidar com efeitos da influenza aviária no Rio Grande do Sul, que temporariamente fecharam destinos importantes para nossas exportações. Mesmo diante de tantos obstáculos, tivemos êxito”, disse.
As 255 cooperativas registradas atualmente no Sistema Ocepar estão distribuídas em sete ramos: 81 agropecuárias, 67 de crédito, 35 de saúde, 30 de transporte, 22 de infraestrutura, 14 de trabalho, produção de bens e serviços e 6 de consumo. Juntas, elas somam 4,5 milhões de cooperados e geram 154 mil empregos diretos, “consolidando-se com uma das maiores forças empregadoras do Estado”, frisou Ricken.
Ele destacou a evolução de alguns ramos. No agropecuário, as cooperativas respondem por 66% da produção de grãos e 45% da produção de carnes, sendo que grande parte é processada nas 157 agroindústrias em operação, agregando mais valor às matérias-primas recebidas dos cooperados. “As cooperativas devem alcançar US$ 8,2 bilhões em exportações, comercializando para 160 países, resultado da força das cadeias produtivas integradas”, acrescentou.
Em relação ao ramo crédito, lembrou que são 1.346 pontos de atendimento, garantindo cobertura em 94,2% dos municípios paranaenses, ou seja, 376 localidades atendidas, fortalecendo o acesso ao crédito produtivo e a inclusão financeira. “O volume de ativos ultrapassa R$ 172,5 bilhões, evidenciando a robustez do Sistema. As cooperativas já representam 50% dos financiamentos de custeio do atual plano safra”, disse.
Para o ramo saúde, 2025 foi um ano de investimentos significativos: foram R$ 415 milhões aplicados em unidades hospitalares, laboratórios e clínicas, para atender os 2,9 milhões de beneficiários em planos médico-hospitalares e odontológicos.
Em relação às cooperativas de infraestrutura, ressaltou a expansão da geração distribuída, consolidando matrizes energéticas mais sustentáveis, reduzindo custos para os cooperados e fortalecendo a autonomia energética dos empreendimentos comerciais, rurais e industriais. “O ramo já soma mais de 43 mil cooperados”, sublinhou.
No transporte, lembrou da atuação permanente do Conselho Estadual do ramo, que tem exercido papel estratégico na coordenação das demandas das cooperativas paranaenses e na interlocução qualificada junto ao Conselho Nacional.
“Em 2025, destacaram-se temas de alta relevância regulatória, como a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário, a cobrança de pedágio sobre eixos suspensos em veículos descarregados, a revisão de multas aplicadas pela ANTT e as discussões sobre mecanismos que viabilizem a renovação de frota das cooperativas. O setor de cargas já conta com mais de 3,1 mil caminhões”, pontuou.
No ramo trabalho e produção de bens e serviços, o ano de 2025 registrou um ritmo de crescimento estável e sustentado. “Esse esforço foi fundamental para garantir segurança jurídica, orientar adequações necessárias e fortalecer a representação institucional do ramo diante das propostas que impactam diretamente a organização do trabalho do cooperado e a competitividade das cooperativas”.
No ramo consumo, composto por cooperativas dedicadas ao fornecimento de bens, produtos e serviços aos seus cooperados, 2025 deverá ser concluído com um crescimento de faturamento próximo de 7%.
O presidente do Sistema Ocepar ressaltou ainda que neste ano a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) criou o ramo seguros, que, de acordo com ele, “traz segurança jurídica e regras específicas para a atuação dessas cooperativas.”
Outros avanços
Em seu discurso, Ricken citou avanços do cooperativismo paranaense em diversas outras áreas, como na formação profissional, onde foram investidos R$ 110 milhões em ações de treinamento e desenvolvimento, com a promoção de mais de 15.500 eventos, totalizando carga superior a 220 mil horas de capacitação, com mais de 215 mil participantes. O Programa de Educação Política do Cooperativismo Paranaense também foi citado pelo dirigente, como uma iniciativa estratégica que vem se consolidando no sentido de conscientizar o público cooperativista sobre a importância do voto consciente e no fortalecimento da representação institucional e política do movimento cooperativista.
PRC
Destaque também para o Plano Paraná Cooperativo (PRC), o planejamento estratégico de desenvolvimento sustentável do cooperativismo paranaense. “Neste novo ciclo, seguimos firmes no propósito de atingir R$ 300 bilhões de movimentação econômica nos próximos três anos e R$ 500 bilhões ao final dessa década. Acreditamos que isso seja possível visto que, em 2015, foram R$ 50 bilhões de faturamento por ano, em 2020, R$ 100 bilhões e, hoje, mais de R$ 200 bilhões. O futuro será resultado do que visualizarmos hoje. Potencial para isso existe”, declarou.
No entanto, para que os objetivos das cooperativas se concretizem, Ricken enfatizou que será preciso que o país avance em reformas como a tributária, administrativa, do modelo político, entre outras. “Tememos que o açodamento da aprovação da reforma tributária, tão necessária para racionalizar a arrecadação de tributos, traga somente aumento da carga aos setores básicos da economia como produção de alimentos, saúde e serviços”, afirmou. Questões ligadas à infraestrutura, como investimentos nos modais rodoviário, ferroviário e portuário, além de temas ligados ao meio ambiente e ao mercado também foram apontados pelo dirigente como relevantes para o desenvolvimento do setor produtivo paranaense.
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