Cooperativismo de crédito ganha espaço em debate global da ACI

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aci 01 06 2026Em um cenário marcado pelos debates sobre inclusão financeira, sustentabilidade e fortalecimento das economias locais, lideranças do cooperativismo mundial se reuniram, nos dias 28 e 29 de maio, no International Symposium on Cooperative Financial Institutions (Simpósio Internacional sobre Instituições Financeiras Cooperativas) para discutir como o modelo cooperativo pode contribuir para um sistema financeiro mais equilibrado, acessível e conectado às necessidades das comunidades. O Sistema OCB participou da programação com a presença do coordenador de Relações Internacionais, João Penna. 

O presidente da ACI Américas, José Alves, integrou a sessão de abertura do simpósio e destacou a importância de posicionar o cooperativismo financeiro no centro das discussões globais sobre desenvolvimento. “Este simpósio é mais que um encontro de profissionais do setor financeiro cooperativo. É uma declaração política e institucional: a de que as finanças cooperativas pertencem ao centro do debate global sobre desenvolvimento, e não às suas margens”, declarou.  

Segundo ele, o movimento cooperativo precisa ocupar espaços estratégicos de diálogo internacional com propostas concretas e experiências capazes de responder aos desafios enfrentados pelas comunidades. E ressaltou a relevância das cooperativas de crédito nas Américas. “Essas cooperativas  já ocupam um papel relevante nos sistemas de crédito das Américas e seguem mostrando que é possível fazer finanças com propósito, proximidade e foco nas pessoas. Esse é um diferencial cada vez mais necessário no cenário global”. 

Políticas públicas 

Já João Penna  participou da mesa redonda Promote: Policies that Advance Investment for Stronger Future, (Promoção de políticas públicas que impulsionam investimentos para um futuro mais forte) voltada à construção de políticas públicas capazes de ampliar investimentos responsáveis e fortalecer instituições financeiras com atuação comunitária. 

Durante a discussão, ele apresentou a experiência brasileira e destacou a importância de ambientes regulatórios que reconheçam as especificidades do modelo cooperativo. “As instituições financeiras cooperativas possuem uma lógica diferente. Elas são construídas a partir das necessidades das pessoas e mantêm uma relação direta com o desenvolvimento das comunidades onde atuam. Quando existe um ambiente regulatório adequado, o impacto é visível”, afirmou. 

Ao abordar o cenário brasileiro, o coordenador relembrou a trajetória de fortalecimento do cooperativismo de crédito no país, marcada por avanços importantes como a Lei do Cooperativismo de Crédito, aprovada em 2009 e a criação do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito, em 2014, além de medidas recentes ligadas à Reforma Tributária e à ampliação da atuação das cooperativas no setor de seguros. 

Segundo ele, o reconhecimento jurídico e regulatório das cooperativas financeiras foi decisivo para ampliar o alcance do setor no Brasil. “Atualmente, as cooperativas de crédito atendem mais de 20 milhões de cooperados e seguem avançando em municípios onde muitas vezes não existe outra instituição financeira presente”.  

Outro tema levado ao simpósio foi a contribuição do cooperativismo para o financiamento sustentável. João destacou a participação das cooperativas de crédito e bancos cooperativos nas operações de financiamento verde realizadas no país, especialmente voltadas ao agronegócio, pequenos negócios e desenvolvimento regional. 

O evento 

O simpósio, promovido pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI) em parceria com a Associação  Internacional de Bancos Cooperativos (ICBA), busca fortalecer o posicionamento das Instituições Financeiras Cooperativas (CFIs) dentro das discussões globais sobre financiamento ao desenvolvimento. O encontro também integra a preparação para o Ano Internacional das Cooperativas da ONU, previsto para 2035, e está alinhado à Estratégia Global da ACI 2026–2030. 

Ao longo da programação, os participantes discutiram temas como competitividade, acesso ao capital, inovação, transformação digital, inclusão financeira, governança cooperativa e políticas regulatórias. (Sistema OCB)

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