Agro vai ter mais ganhos do que possíveis perdas com acordo Mercosul-União Europeia, afirma especialista
- Artigos em destaque na home: Nenhum
Há um entendimento geral no setor agropecuário de que o agro brasileiro vai ter mais ganhos do que possíveis perdas em decorrência do recém firmado Acordo de Parceria Estratégica Mercosul-União Europeia (UE). A afirmação é do coordenador geral de Negociações Comerciais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Leonardo Recupero. Ele participou, na última sexta-feira (20/02), da webinar Perspectivas do Agronegócio União Europeia-Mercosul, realizada pelo Sistema Ocepar. O evento foi acompanhado por cerca de 50 lideranças e profissionais de cooperativas paranaenses do ramo agropecuário.
O acordo, assinado no dia 17 de janeiro último, após 26 anos de negociação, criou uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Recupero falou sobre a dimensão econômica desse mercado que soma 718 milhões de pessoas, entre os dois blocos. Em números de 2025, o PIB conjunto é de US$ 22 trilhões, sendo que a União Europeia respondeu por 14,1% do PIB mundial. E, juntos, UE e Mercosul geraram cerca de 20% do PIB global. O comércio bilateral entre UE e Mercosul, em 2025, foi de US$ 100 bilhões.
“Já há um fluxo comercial importante entre os países dos dois blocos. O mercado europeu é o terceiro ou quarto principal parceiro comercial do Brasil. Em relação aos produtos agrícolas, o Brasil foi o terceiro maior exportador mundial em 2024 com US$ 144, 8 bilhões e foi o principal fornecedor de produtos agrícolas para o mercado europeu.
Segundo Recupero, pelo acordo, 99% das exportações brasileiras terão acesso preferencial ao mercado e 82% do comercio bilateral terá taxa zero num prazo de 10 anos. Ele acrescentou que “acordos comerciais estão sendo vistos como caminho interessante para evitar conflitos comerciais com alguns países importantes, como acontece hoje”. Outro ponto positivo também é que o acordo promove a integração da cadeia produtiva.
Atração de investimentos
Outro palestrante do evento foi o economista do Rabobank, Renan Alves. Segundo ele, no Brasil, o agronegócio é o setor que será o mais beneficiado com o tratado. “A indústria também pode ganhar, mas é sobretudo o setor agropecuário que terá mais ganhos”, frisou. Alves destacou que o acordo trará bastante impacto não apenas no campo econômico, mas também geopolítico e de cooperação, com a possibilidade de ampliar investimentos externos vindos da Europa.
“Essa atração de investimento vai depender de regras, convergências regulatórias, solução de controversas e transparência”, disse. O economista alertou também para os requisitos que o Brasil tem que cumprir para ter, de fato, ganhos claros. “O Brasil, para ter essa oportunidade de aproveitar o acordo precisa ter alguns avanços estruturais. Toda essa agenda de redução do chamado ‘Custo Brasil’ vai ser importante nesse momento, além do aumento da produtividade que está estagnada há décadas. Tudo isso vai permitir ter mais investimentos e absorver todas as novas tecnologias que virão da Europa”, frisou.
Mais oportunidade de mercado
O superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti, que abriu o evento, falou sobre a importância do tema para o agronegócio paranaense. “Esse assunto é importantíssimo. O acordo abre mais oportunidades de mercado. Alguns setores poderão sofrer por não serem competitivos, mas, no geral, o acordo nos beneficia”, disse.
A coordenadora de Economia e Mercado do Sistema Ocepar, Carolina Bianca Teodoro, informou que o Sistema Ocepar tem pessoas dedicadas a estudar as cadeias produtivas das cooperativas e avaliar os impactos com o acordo sobre cada uma delas. “Vamos continuar acompanhando de perto. Acreditamos que a diversificação de mercado é sempre uma mitigação de risco e, só por esse aspecto, o acordo já é benéfico”, pontuou.
Ela acrescentou que o Sistema Ocepar tem sempre buscado alternativas para o escoamento da produção agrícola e acredita que há potencial para colocar os produtos paranaenses em mercados tão exigentes como o da União Europeia. “As cooperativas paranaenses estão se organizando para estarem aptas a competir com grandes mercados. Temos lição de casa para ser feita, mas acreditamos que isso será possível”, disse, acrescentando que a equipe do Sistema Ocepar está à disposição das cooperativas para apoiá-las nesse processo.