Dirigentes do Bacen visitam Coamo e Credicoamo para avaliar seguro e financiamento rural
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Representantes da área de Fiscalização e Monitoramento do Banco Central do Brasil (Bacen) visitaram diretores e cooperados das cooperativas Coamo e Credicoamo, nos dias 7 e 8 de maio. Os visitantes do Bacen foram Claudio Filgueiras Pacheco Moreira - Chefe de Unidade do departamento de Regulação, Supervisão e Controle Das Operações do Crédito Rural e do Proagro; Henrique Kazuaki Oka, Chefe de Divisão do departamento de Regulação, Supervisão e Controle Das Operações do Crédito Rural e do Proagro; e dos auditores Ercílio Inácio Moreira, Lais Terumi Furusho e Ricardo Lopes Pinto, foram recepcionados pelos diretores das cooperativas na administração central em Campo Mourão.
Na agenda, trocaram, informações sobre as atividades do Banco Central e da Coamo e Credicoamo, por meio do Programa de Integração, conheceram o Memorial Coamo e visitaram propriedades agrícolas de cooperados e também a Fazenda Experimental Coamo.
Na noite dessa terça-feira (26/05), Filgueiras foi o entrevistado do Momento Coamo, edição 202, pelo canal do youtube da Coamo, onde destacou pontos importantes do encontro realizado com diretores da Coamo e ada Credicoamo.
A visita teve por objetivo a verificação das atividades de fiscalização e de monitoramento de empreendimentos rurais. “Recebemos com satisfação a visita do Banco Central e pudemos discutir a situação atual do crédito rural, apresentando sugestões e também mostramos a nossa infraestrutura com as instalações físicas, incluindo armazéns, silos, áreas de produção e outras utilizadas nas operações de crédito rural. Além de propiciar no campo uma conversa direta com produtores rurais sobre a condução dos empreendimentos, incluindo plantio, colheita, manejo de culturas e práticas de sustentabilidade adotadas, bem como a aplicação correta dos recursos e os resultados obtidos”, conta o presidente-executivo da Credicoamo, Alcir José Goldoni.
Experiência de 28 anos no Bacen
Claudio Filgueiras tem conhecimento técnico e domínio sobre o crédito rural, Proagro e seguro agrícola, além de ter uma capacidade de diálogo institucional e uma visão moderna de financiamento agrícola e adepto a inovação com tecnologia. É servidor de carreira do Banco Central com experiência de mais de 28 anos.
Investimentos
“Em 1998, tive a oportunidade de passar pelas áreas iniciais, bancárias, tesouraria, banco de investimento. Depois fui para uma área mais nova que o Banco Central criou, que seria separando o bancário do não bancário. Então o foco foi para o bancário, mercado de capitais e cooperativismo de crédito, e fiquei mais de dez anos trabalhando nisso. Quando fui colocado para chefiar a área de Crédito Rural, investimos muito na melhoria, tecnologia e mudança de paradigma do que normalmente faz."
Missão do Bacen
“O Banco Central tem a missão de zelar pela estabilidade da moeda, que sempre é primordial. E depois a solidez, eficiência e o regular funcionamento do sistema financeiro, e onde entram todas essas áreas que estamos trabalhando, como o crédito rural”, diz Filgueiras que tem defendido um modelo de alteração para reformular o modelo do Proagro diante dos eventos climáticos, e principalmente, do financiamento rural. “O Proagro é um seguro agrícola, é um programa de governo e deve assistir realmente quem perdeu, quem teve alguma intempérie para ser um óptimo mitigador de risco trabalhando em paralelo como um seguro rural. Assim, temos o seguro rural e o Proagro. Mas o Brasil parou no tempo e o modelo já não funcionava, tínhamos problemas, gastava-se muitos recursos públicos e não adequadamente como queríamos. A reformulação é fazer que quem usar o Proagro, use adequadamente, e não para obter uma renda extra, mais para mitigar riscos."
Mudança
O Chefe de Unidade explica o que o Bacen mudou em relação ao Proagro. “O que reformulamos é o uso da tecnologia, o incentivo ao uso da melhoria da qualidade técnica e que a instituição financeira que está enquadrando no Proagro juntamente com o produtor divida esse risco. O produtor que efetivamente necessitar vai ser indenizado, e àquele que não estiver usando adequadamente ou estiver com sucessivas perdas, não tem por que ter uma política pública financiar uma perda contínua.”
Proteção
Chefiando a área no Bacen que regula, supervisiona e controla as operações do Crédito Rural, Filgueiras diz que o seguro e o Proagro são instrumentos de proteção, mas falta ainda maior conscientização por parte do produtor brasileiro quanto ao benefício em caso de frustrações. “Eu gostaria que essa consciência estivesse muito maior do que ela está hoje. Mas, infelizmente, pelo fato de terem acontecido muitas intempéries, muita seca, muita chuva, e o clima com eventos mais extremos, isso fez com que muitos produtores que conversam com a gente, afirmarem que deveriam ter feito seguro, para mitigar os riscos. Mas a receita do seguro nem sempre se encaixa para todos, temos que trabalhar a mitigação de risco, como proteção a atividade. Então, essa consciência no nosso país tem melhorado, mas acredito que a política pública tem que caminhar para melhorar isso.”
Credicoamo
Filgueiras elogia a atuação do presidente do Conselho de Administração da Coamo e da Credicoamo, José Aroldo Gallassini. “O Dr. Aroldo defende o seguro agrícola como uma cultura necessária, porque por exemplo ninguém compra um carro, que é sonho de consumo e sai da loja sem ter feito seguro, e isso é uma coisa normal. Ele é um incentivador do seguro agrícola. Está muito certo, tem uma visão excelente sobre como deveria ser a nossa parte no crédito rural. Então, essa cultura nós temos que mudar e a mudança de cultura é algo muito complexo, muito difícil, mas tem que ser feito de grão em grão, e devagarinho.”
Intercâmbio
O Bacen tem percorrido várias regiões do Brasil para conversar com dirigentes e produtores. E como resultados, após as visitas às diretorias e cooperados da Coamo e Credicoamo, em várias propriedades, eles levam muitas sugestões para serem discutidas na instituição em Brasília. “Vi e constato que estamos fazendo muita coisa, porque a medida em que a gente vai às cooperativas e aos produtores, nós conseguimos entender se é aquela política, se aquela estrutura que construímos e concebemos, está funcionando e se tem, quais são os problemas. A Coamo e a Credicoamo são duas cooperativas extremamente importantes para o nosso país, elas nos trazem um conhecimento e uma visão de como as coisas sendo feitas e devem ser melhoradas. Então, vamos trabalhar para melhorar."
IA
Entre os próximos projetos e desafios da área de Crédito Rural no Banco Central está o construir o uso da inteligência artificial, usando insumos, conhecimentos agrícolas, a parte tecnológica de satélites, de imagens. “A ideia é que a gente consiga, do mesmo jeito, que já temos a visão completa de todas operações de crédito do país, termos, enfim, junto às cooperativas, às instituições que concedem crédito e até mesmo essas instituições junto a seus produtores, melhorar a forma de usar o crédito, de trabalhar e até mesmo entender melhor todos esses eventos que estão acontecendo na agricultura. Com a tecnologia, acredito que a gente vai conseguir melhorar bastante a forma de conceder o crédito e a forma de distribuir a nossa agricultura pelo país.” (Assessoria de Imprensa Coamo)