Sistema Ocepar lança Programa de Educação Financeira para comunidade cooperativista

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O Sistema Ocepar lançou, nessa quarta-feira (22/04), o Programa de Finanças Sustentáveis. O objetivo é contribuir com as cooperativas no processo de orientação aos trabalhadores que se encontram em situação de endividamento. Além disso, visa educar toda a comunidade cooperativista em boas práticas na administração das finanças pessoais para evitar situações de desequilíbrio financeiro. E, ainda, orientar aqueles que estão próximos da aposentadoria para que se preparem financeiramente para essa fase.

A iniciativa surgiu a partir da demanda de algumas cooperativas que manifestaram preocupação em relação ao nível de endividamento de seus colaboradores.  “A partir da provocação inicial de algumas cooperativas que nos procuraram, decidimos lançar o programa, que tem início hoje e será contínuo”, explicou o gerente de Desenvolvimento Humano do Sistema Ocepar, Leandro Macioski.

Segundo o gerente, o problema é recorrente e tem aumentado. “Há um grande nível de endividamento entre os trabalhadores das cooperativas. A situação demanda uma ação urgente e, por isso, decidimos iniciar esse programa”, esclareceu. 

Impacto na saúde mental e na produtividade

A palestra de abertura foi ministrada pelo especialista em finanças e consultor de empresas, Altemir Farinhas.  Voltada a profissionais de recursos humanos das cooperativas, a palestra teve por objetivo demonstrar como as questões financeiras impactam a saúde mental, a produtividade e o clima organizacional, além de sensibilizar sobre os efeitos do endividamento no bem-estar emocional dos colaboradores.

O palestrante chamou a atenção para o envolvimento de toda a família na discussão sobre o tema. “Muitas vezes o problema do endividamento está dentro de casa”, observou, alertando para a necessidade de clareza e sinceridade entre os integrantes da família na relação com o dinheiro e nas decisões de administrar adequadamente as finanças.

Pesquisa

Farinhas apresentou dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). A pesquisa começou em 2010, quando revelou que o nível de endividamento dos brasileiros atingia 52% das famílias. “De lá para cá, a situação se agravou e a última edição da pesquisa, divulgada em março de 2026, aponta para um nível de endividamento de 80,4% dos brasileiros”, informou. Ainda de acordo com a pesquisa, o Paraná registrou um aumento de 8,22% no número de endividados nos últimos 12 anos. Embora o nível de endividamento no estado tenha reduzido em relação ao último ano, ainda é alto e acima da média nacional. Chegou a 84,4% em março último, ante 88% de março de 2025.

A mesma pesquisa mostra que o grande vilão do endividamento é o cartão de crédito, responsável por 94,1% das dívidas. Isso se deve principalmente pelo limite de crédito disponível no cartão que muitas vezes é de três a quatro vezes maior que a renda do seu portador.   Além do limite alto do cartão de crédito, a facilidade em obter empréstimos consignados e o acesso a apostas em jogos de aplicativo têm contribuído para que a população se endivide cada vez mais.

Palestras e trilhas

A programação desta edição do programa de educação financeira, que teve início nessa quarta-feira (22/04), prossegue até outubro. O conteúdo será disponibilizado por meio de palestras e trilhas de multiplicadores. As palestras terão como temas: “Educação Financeira”, “Valor do Amanhã”, Saúde Financeira”, Golpes e Jogos de Azar” e “Equilíbrio Financeiro”. A trilha de multiplicadores, que será realizada de 19 a 21 de maio, envolverá voluntários das cooperativas que manifestarem interesse. Os interessados passarão por uma seleção por meio das áreas de recursos humanos das cooperativas para avaliar a aptidão. A partir daí, receberão treinamento.

“O multiplicador será um agente de educação financeira. E receberá um treinamento para se sentir seguro em ajudar as pessoas”, explicou o consultor Altemir Farinhas.  “O agente multiplicador precisa dar paz ao trabalhador que se encontra em situação de endividamento. O colaborador, quando pode contar com essa consultoria, divide o problema com o agente e passa a não estar mais sozinho. E o agente, por sua vez, vai buscar entender a situação do empregado, avaliar o motivo que levou a essa situação, identificar porque a conta não fecha e buscar o que é preciso para resolver o problema. Isso dá segurança ao trabalhar. Ter alguém que vai dizer o que está correto e, em caso de necessidade de renegociação de dívidas, vai orientar de que forma deve ser essa renegociação”, explica Farinha. E acrescenta: “Não é apontar o dedo, é acolher, dar ferramentas e estabelecer uma rede de apoio”.

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