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Auditoria Interna: um pilar essencial para a saúde das cooperativas

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artigo 19 05 2026*João Gogola Neto e Daniele Cristiane Radulski Reginatto 

Em maio, o Instituto dos Auditores Internos (The IIA) promove a conscientização sobre a profissão da auditoria interna. Aderindo à campanha internacional, o IIA Brasil emite todos os anos um regulamento para que as empresas brasileiras compartilhem nas redes sociais materiais endossando seu compromisso com os trabalhos desenvolvidos por suas áreas de auditoria interna.  

O Sistema Ocepar, no ano que completa 55 anos, está aderindo à campanha internacional do IIA, mas seu compromisso com a auditoria interna vem muito antes disso.  

Em abril de 1991, o Sistema Ocepar aprovou, por meio de Assembleia Geral Ordinária, o Programa de Autogestão das cooperativas, estabelecendo, em um de seus artigos, o trabalho das “Auditorias de Gestão”.  No conjunto de trabalhos desenvolvidos, os auditores são aqueles que buscam trazer segurança e confiabilidade para os associados, por meio de avaliação sistêmica dos processos operacionalizados pela cooperativa. 

Em um conceito macro, a auditoria interna é um pilar silencioso, mas essencial, para a saúde das cooperativas. Mais do que checar números, ela ajuda a identificar riscos operacionais, financeiros e de conformidade, recomenda melhorias nos controles internos e monitora a implementação de ações corretivas — tudo com foco em proteger o patrimônio e fortalecer a confiança dos cooperados e em uma relação interna, diária e constante. Quando bem estruturada, a auditoria interna transforma-se num instrumento prático de governança que apoia decisões melhores e mais seguras. 

Em cooperativas maiores, a existência de um Comitê de Auditoria acrescenta uma camada estratégica importante. Esse comitê supervisiona tanto as auditorias internas quanto as externas, aprova o plano anual de trabalho, avalia relatórios e assegura que eventuais indícios de fraude ou desvios éticos sejam investigados com rigor e celeridade. Além disso, atua como elo entre a auditoria e o órgão de direção, promovendo a transparência e a implementação efetiva das recomendações. 

O Conselho Fiscal complementa esse ecossistema ao oferecer fiscalização independente e parecer sobre as contas da cooperativa. Sua atuação garante que as demonstrações financeiras reflitam a realidade econômica, que os controles internos sejam eficazes e que as políticas de compliance e governança sejam observadas. Quando Conselho Fiscal e Auditoria Interna trabalham de forma coordenada, mas com autonomia, a avaliação dos processos e resultados ganha imparcialidade e profundidade. 

No Programa de Autogestão, ainda há a dimensão da auditoria independente, que traz a “fé pública” necessária para o relacionamento com mercados, bancos e parceiros. Integrada ao trabalho da auditoria interna e do Conselho Fiscal, ela amplia a credibilidade externa e contribui para uma “auditoria de gestão” mais ampla — que analisa não só números, mas a eficiência, sustentabilidade e viabilidade do negócio cooperativista como um todo.

Por fim, investir em auditoria interna e numa governança clara não é custo — é proteção e valor. Cooperativas que fortalecem esses mecanismos mostram respeito aos cooperados, aumentam sua resiliência frente a riscos e constroem reputação. Em tempos de desafios regulatórios e de mercado, transparência e controle não são apenas boas práticas: são vantagens competitivas que preservam a essência cooperativista. 

*João Gogola Neto é gerente de Monitoramento e Consultoria do Sescoop/PR 

*Daniele Cristiane Radulski Reginatto é Auditora Interna do Sescoop/PR 

Fontes:

Documento de Autogestão 

Manual de boas práticas de Governança Cooperativista – OCB, 2026 

FOTO: Gisele Barão / Gerência de Comunicação e Marketing Sistema Ocepar

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