Devet Cocari alerta pecuaristas: planejamento alimentar é fundamental para garantir bom desempenho no inverno
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Com a redução das chuvas e a queda gradual da qualidade das pastagens de verão, o mês de março marca o início de um período decisivo para o produtor rural. O planejamento alimentar dos rebanhos, especialmente de corte e leite, torna-se fundamental para evitar perdas produtivas durante o inverno.
De acordo com o zootecnista Maurício Kachinski, do Departamento Veterinário (Devet) da Cocari, o cenário típico de regiões de atuação da Cocari, com estiagem, frio e ocorrência de geadas, exige atenção redobrada. “A qualidade da forragem cai, a fibra perde valor nutricional e o animal sente esse impacto. Sem manejo adequado, há perda de peso e queda no escore corporal”, explica.
Ajuste da lotação e atenção ao rebanho
Uma das primeiras medidas adotadas nas propriedades é a redução da lotação por hectare. Animais prontos são comercializados e descartes são realizados, aliviando a pressão sobre as pastagens. Ainda assim, os animais mantidos na área precisam atravessar o período seco com suporte nutricional adequado. “Sem suplementação, o prejuízo é duplo: compromete o ganho de peso dos animais de abate e atrasa o ciclo reprodutivo de matrizes e novilhas”, alerta o especialista.
Suplementação estratégica faz a diferença
Para manter o desempenho do rebanho, o uso de suplementos é indispensável. Entre as opções, destacam-se:
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Proteicos energéticos: indicados para ganho de peso, com potencial de 600 g a até 1 kg por dia, dependendo do consumo;
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Proteinados: voltados à manutenção do peso, podendo gerar ganhos moderados de até 400 g/dia.
Esses produtos contam com aditivos que favorecem a ação dos microrganismos no rúmen, aumentando o aproveitamento da forragem de baixa qualidade.
Silagem e volumosos: reserva essencial
Outra estratégia importante é o uso de silagem produzida no verão. “A silagem funciona como uma segurança nutricional. Em sistemas de semi-confinamento, ela ajuda a manter o desempenho dos animais durante a escassez de pasto”, destaca Maurício.
Apesar de exigir estrutura e maquinário, o investimento tende a trazer retorno em produtividade.
Pastagens de inverno elevam o potencial produtivo
Para produtores que utilizam culturas como aveia e azevém, o cenário é mais favorável. Essas pastagens apresentam alta digestibilidade e níveis de proteína superiores a 16%. “Nessas condições, a suplementação energética potencializa ainda mais o ganho de peso, podendo chegar próximo de 1 kg por dia”, afirma o zootecnista.
Confinamento: oportunidade para ganhos consistentes
No inverno, o clima mais ameno favorece tanto a produção de leite quanto o ganho de peso em confinamento. A recomendação é elevar o nível energético da dieta, especialmente com maior inclusão de amido. “Em temperaturas mais baixas, o animal consome melhor e converte mais eficiência. Mas em frio intenso, é preciso reforçar ainda mais a dieta para evitar queda de desempenho”, orienta.
Manejo dos cochos exige atenção
Além da nutrição, o manejo adequado dos cochos é determinante. O acesso precisa ser garantido a todos os animais, evitando competição e consumo desigual.
Principais cuidados recomendados:
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Distribuir corretamente os saleiros nos piquetes;
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Garantir espaço suficiente para todos os animais;
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Manter os cochos preferencialmente cobertos;
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Monitorar o consumo de forma contínua.
“Animais dominantes tendem a consumir primeiro. Se não houver espaço adequado, os subordinados ficam sem acesso e isso impacta diretamente no ganho de peso”, reforça o consultor.
Planejamento começa agora
As decisões tomadas neste momento refletem diretamente nos resultados do inverno e até da próxima estação produtiva. Com planejamento, suplementação adequada e manejo eficiente, é possível atravessar o período seco mantendo desempenho, produtividade e rentabilidade. (Assessoria de Imprensa Cocari)