Diversificada, pequena chácara em Terra Boa (PR) faz o máximo com o mínimo

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Num passado recente, sem perspectivas de continuarem na pequena propriedade da família em Terra Boa (PR), os três filhos do cooperado da Cocamar, José Aparecido Sanches, e sua esposa Márcia Maruchi Sanches migraram para a cidade, onde se inseriram no mercado de trabalho.

O tamanho da chácara, denominada Maria Araceli, comprada em 1982, continua o mesmo. São pouco mais de 6 mil metros quadrados – exatamente 6,05 hectares - mas José e Márcia têm bons motivos para acreditar que em breve os filhos estarão de volta. E para ficar.

Café especial

Sem terem como expandir os limites do imóvel, eles estão verticalizando a produção, tendo o café como carro-chefe. São 13 mil pés, dos quais 7 mil em plena produção, e há anos o casal se dedica ao promissor segmento de cafés especiais. O Rally Cocamar de Produtividade esteve lá na quarta-feira (22/04).

E para agregar ainda mais valor à safra, reduzindo a venda de commodity, José e Márcia implantaram há cerca de um ano uma torrefadora na propriedade, o que permite a comercialização do produto torrado e moído diretamente ao consumidor em embalagem com a marca própria Maruchi.

Alta qualidade

O capricho e os cuidados que eles dispensam ao café é tão grande que isto se reflete na qualidade superior do produto. Em 2023, José e Márcia ficaram entre os sete primeiros colocados no Concurso Café Qualidade Paraná, promovido pela Câmara Setorial do Café e o governo do estado, cujo objetivo é valorizar e fortalecer a cafeicultura, ao identificar e premiar os melhores cafés do Paraná.

Segundo José, o destaque obtido no concurso estadual promoveu uma corrida de cafeterias de várias cidades, incluindo Maringá, até a propriedade. “A gente nem precisa ir atrás de comprador de café especial”, orgulha-se. O produto é vendido seco, em grãos, a preço diferenciado. Cada cafeteria faz a sua torra, de acordo com o padrão desejado.

No atual ciclo, cuja colheita está começando, eles estimam colher ao menos 100 sacas de café beneficiado, mais que o triplo em comparação ao volume de 2025, que foi o ano de safra menor. O café tem a característica da bienalidade da produção, ou seja, produz num ano e descansa no outro.

Diversificando

A família, no entanto, não quer depender apenas do café e avança em um consistente programa de diversificação de negócios. Foram construídos quatro tanques de peixes que funcionam no sistema pesque-pague e atraem, nos finais de semana, aficionados do município e região.

E para incrementar ainda mais o orçamento, eles implementam um consórcio no meio da lavoura de café com dois tipos de frutas de mercado garantido. São 900 pés de mamões, cultivados na mesma linha dos cafeeiros e que produzem até o terceiro ano; e 5 mil de abacaxis nas entrelinhas, para serem colhidos em até dois anos.

Tanto para os mamões quanto para os abacaxis, a comercialização já está negociada junto a uma cooperativa de Cianorte, a Coanorte, que congrega produtores de frutas diversas.

Irrigação e sustentabilidade

E para evitar que problemas climáticos, como os recorrentes veranicos, prejudiquem a produção, tanto o café quanto as demais culturas são irrigadas, com a água captada dos próprios tanques de peixes. E como eles possuem uma estrutura de energia solar, fornecida pela Cocamar, as despesas geradas com iluminação e para mover a torrefadora e a irrigação, são mínimos.  

A propósito, o investimento em sustentabilidade – que inclui a energia solar, o manejo adequado do solo, o reaproveitamento de água e outras práticas -, conferiu à família um reconhecimento importante durante o Show Rural Coopavel 2026 em Cascavel: o Prêmio Produtor Rural Sustentável.

Um sonho e o paraíso

 Com tudo isso, José e Márcia se animam a pensar que vai ter trabalho e renda para eles e os três filhos, quando estes voltarem a morar na chácara. “É o nosso sonho”, diz Márcia, ao comentar que um deles já está dividindo o seu tempo entre o emprego na cidade e o apoio aos pais. A chácara fica próxima à área urbana.

“Para nós, esta propriedade é um paraíso, aqui tem de tudo um pouco, principalmente muita vontade de crescer e vencer”, completa José.

Padrão de excelência

 O cafezal mantido pela família Sanches inclui diferentes variedades - IPR-107, IPR-100, Mundo Novo, Catuaí e Arara -, com assistência técnica prestada por profissionais do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR/PR). E uma parte da produção é entregue na unidade local da Cocamar.

O padrão é de excelência, conforme ficou demonstrado em 2023, que apresentou tipo 2, umidade de 11,3%, 3.0% de peneira 16 e uma nota de avaliação sensorial de 84,93 pontos.

Um café é considerado especial quando atinge, no mínimo, 80 pontos na escala de avaliação da Specialty Coffee Association (SCA), que leva em conta uma análise sensorial a partir de aspectos como aroma, acidez, doçura, corpo e uniformidade.

Para se ter uma ideia, os atributos conferidos ao café da família Sanches por um júri especializado apresentaram alguns indicativos diferenciados:

- Fragrância e sabor: caramelo, cocada preta, chocolate, frutas vermelhas, cereja, castanha, baunilha e cana;

- Retrogosto: longo doce macio;

- Acidez: cítrica alta;

- Corpo: alto e licoroso.

Sobre o Rally

 Em seu 11º ano de realização, o Rally Cocamar da Produtividade tem o objetivo de valorizar as boas práticas agrícolas e conta com o patrocínio da Corteva, Sicredi Dexis, Nissan Bonsai Motors e Fertilizantes Viridian. (Assessoria de Imprensa Cocamar)

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