Nutrição animal: cuidados com a silagem garantem alimento de qualidade o ano todo

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cocari 12 01 2026A silagem é um dos pilares da nutrição animal e exige planejamento, técnica e acompanhamento especializado desde a lavoura até a abertura do silo. Segundo o zootecnista Maurício Kachinski, do Departamento Veterinário da Cocari (Devet), pequenos ajustes ao longo do processo trazem grande diferença para o desempenho dos animais e a rentabilidade da propriedade.

O primeiro passo está no planejamento da produção do volumoso, priorizando as silagens de verão, especialmente a de milho, seguidas pela safrinha e pelo sorgo. “É fundamental trabalhar a fertilidade do solo e contar com uma equipe técnica engajada para personalizar a escolha de sementes, fertilizantes, correção do solo e manejo da lavoura, conforme a realidade de cada produtor”, explica.

Esse acompanhamento permite escalonar as culturas e a janela de colheita, garantindo oferta de volumoso padronizado e disponível ao longo dos 12 meses do ano. “O objetivo é não faltar silagem em nenhum período. Manter o volumoso o mais constante possível é essencial para a estabilidade da dieta”, reforça o zootecnista. 

Momento ideal de corte faz diferença na fermentação

No caso da silagem de milho, o ponto de corte é decisivo. Maurício destaca que o teor de matéria seca ideal varia entre 35% e 36%, podendo chegar, no máximo, a 38%. “Silagens muito secas dificultam o corte, a compactação e a fermentação. Acima disso, só com maquinários muito específicos e bem calibrados”, alerta.

Apesar do maior acúmulo de amido em materiais mais secos, o processamento se torna mais complexo. Por isso, cortar dentro da janela ideal garante melhor fermentação, maior aproveitamento do amido e menor risco de perdas. 

Atenção aos detalhes

Outro ponto fundamental é o tamanho das partículas, que deve ser ajustado conforme o sistema de alimentação e o maquinário disponível na propriedade. “Não pode ser nem muito grosso, para evitar seleção, nem muito fino, para não prejudicar a ruminação”, explica.

As regulagens costumam variar entre 12 e 16 milímetros, sempre de forma personalizada. Para esse controle, os técnicos utilizam as peneiras Penn State, que avaliam a distribuição das partículas e indicam se a máquina está corretamente regulada.

A quebra de grãos também merece atenção especial. “Quanto mais fragmentado o grão de milho, maior a disponibilidade do amido. Grãos inteiros ou pouco quebrados resultam em perdas fecais e desperdício de energia”, afirma Maurício. 

Inoculação: investimento com alto retorno

A inoculação da silagem é apontada como uma ferramenta indispensável. O uso de bactérias homo ou heterofermentativas acelera a queda do pH, melhora a fermentação e aumenta a preservação dos nutrientes digestíveis totais (NDT).

“Para nós, consultores, a diferença entre uma silagem inoculada e uma não inoculada é exorbitante. O retorno sobre o investimento é muito grande, pois reduz perdas, melhora a estabilidade e aumenta o desempenho dos animais”, destaca. 

Compactação e vedação preservam o que foi produzido

Durante o enchimento do silo, a compactação é considerada um dos fatores mais críticos. “É o único maquinário que não pode parar. Tratores pesados, compactando continuamente, são essenciais para retirar o oxigênio”, orienta.

Silos trincheira costumam apresentar melhor compactação, mas o dimensionamento correto também é fundamental. Após a abertura, é necessário retirar diariamente pelo menos 30 centímetros da face do silo, evitando o desenvolvimento de leveduras e o reaquecimento do material.

Maurício alerta ainda para práticas inadequadas, como cobrir o silo apenas durante a noite com lonas soltas. “Isso cria efeito de ‘tampa de chaleira’, favorecendo fungos, bolores e o aparecimento de micotoxinas”, explica. O uso de barreiras de oxigênio e de tecnologias modernas de cobertura reduz significativamente as perdas no topo do silo e aumenta a preservação do material armazenado. 

Investimento alto e estratégico

A silagem representa um investimento alto e estratégico. De acordo com o zootecnista, uma tonelada de matéria seca de silagem de milho pode produzir, em média, 1.400 litros de leite, chegando a 1.800 litros em silagens de alto teor de amido. “É muito dinheiro guardado debaixo de uma lona. Um silo mal compactado ou mal vedado pode comprometer toda a produção do ano”, reforça.

Monitoramento constante garante qualidade até o fim

Após a abertura, o manejo correto continua sendo essencial. É importante evitar o afrouxamento da face do silo, monitorar pH e temperatura, além de manter a retirada uniforme do painel. Temperaturas elevadas indicam perdas de nutrientes e redução da eficiência alimentar. “Durante o ano, a matéria seca da silagem varia, e a dieta precisa ser ajustada constantemente para garantir o máximo aproveitamento”, conclui Maurício.

Os consultores da Cocari estão preparados para orientar os produtores em todas as etapas, desde o planejamento da lavoura até o ajuste final da dieta, colocando na ponta do lápis o quanto pode ser economizado com o manejo correto da silagem. Fale com o seu consultor Cocari. (Assessoria de Imprensa Cocari)

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