Rally Cocamar: baixas cotações e avanço do greening preocupam citricultores
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Entre os pioneiros na produção de laranjas no noroeste do Paraná, atividade na qual ingressou em 1988 por incentivo da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, o cooperado Vânio Pasquali, de Paranavaí, mantém pomares em terras próprias e arrendadas.
São cerca de 300 mil plantas e um terço delas em produção plena neste ano, com estimativa de colheita de 2,5 caixas de 40,8 quilos por árvore, em média. A safra, que começa em maio, deve seguir até janeiro de 2027.
Na última semana, Pasquali recebeu na propriedade onde reside, o Rally Cocamar de Produtividade, que foi acompanhado do gerente Vlamir Batista Gonçalves e do engenheiro agrônomo José Vítor Caetano, da unidade local da cooperativa.
Margens apertadas
O produtor conta que, ao longo das décadas, a laranja trouxe prosperidade para a região e mesmo com a forte queda nas cotações da commodity, nos últimos meses, a cultura se mantém viável, embora com margens muito apertadas.
Após atingir em 2024 um patamar de R$ 95 a caixa de 40,8 quilos na indústria - o maior preço pago ao produtor em 30 anos -, a cotação recuou para cerca de R$ 30 atualmente.
A forte queda reflete a retração nas importações por parte da União Europeia, tradicional e principal destino.
O motivo é a redução da demanda em função dos altos preços que eram praticados e de problemas de qualidade observados na safra anterior, segundo informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP.
Sem trégua
Se por um lado os produtores estão amargando baixas cotações enquanto os custos não param de subir, de outro a cultura enfrenta mundialmente há mais de 25 anos o avanço de uma doença letal, o greening, que ainda não tem tratamento.
A enfermidade é provocada por uma bactéria transmitida pelo inseto psilídeo e, de acordo com a legislação estadual, árvores com até oito anos que apresentam sintomas, precisam ser erradicadas, o mesmo acontecendo com as que chegam a 15 anos exibindo sinais da doença.
Nada de aventureiros
Segundo Vânio, um pomar exige investimento constante e um rigoroso gerenciamento de custos. “Não é um negócio para aventureiros”, afirma.
Ele explica que a laranja é uma cultura para 15 anos de exploração, que atinge o auge do seu potencial produtivo entre os 9 e os 12 anos, com oito meses de colheita durante um ciclo anual.
Pomares abandonados
Neste momento, em que os preços da fruta se encontram deprimidos, muitos produtores deixam de cuidar de seus pomares. Como há a necessidade de fazer a substituição de árvores doentes e promover pulverizações periódicas para controlar o psilídeo, eles deixam as plantações à própria sorte.
“O vizinho que não cuida do pomar contribui para a proliferação da doença”, reclama o produtor.
Confiança
Mesmo assim, sem perder a confiança, Vânio aposta na própria experiência ao lembrar já ter enfrentado outras crises na citricultura: “Mais dia, menos dia, essas dificuldades e incertezas serão superadas”.
Por ora, além da permanente troca de árvores doentes por mudas sadias, ele trata o pomar com inseticidas e fungicidas biológicos integrando a formulação com produtos químicos.
As árvores são cultivadas em meio ao capim braquiária, espécie que protege o solo com sua cobertura, garantindo matéria orgânica, preservação da umidade e o controle natural de ervas daninhas.
Seleção natural
“Estamos assistindo a uma seleção natural dos produtores”, comenta o engenheiro agrônomo José Vítor Caetano, da Cocamar. Ele explica que como parte dos pomares da região de Paranavaí já é antiga e pouco produtiva, não deverá ser renovada e vai ceder lugar para outros negócios.
A estimativa, segundo ele, é que pelo menos 30% do parque citrícola da região noroeste estejam infectados pelo greening, um percentual inferior ao da média do vizinho estado de São Paulo, maior produtor mundial de suco de laranja, onde a doença já seria observada em 50% das árvores.
Sobre o Rally
Em sua 11ª edição, o Rally Cocamar de Produtividade tem o objetivo de valorizar as boas práticas agrícolas. Patrocinam a realização: Corteva, Sicredi Dexis, Fertilizantes Viridian e Nissan Bonsai Motors, com o apoio da Unicampo, Aprosoja/PR e Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb). (Assessoria de Imprensa Cocamar)