Solo em foco - Como a soja influencia a próxima cultura: avaliação de palhada, estrutura do solo e manejo pós-colheita

  • Artigos em destaque na home: Nenhum

cocari II 26 02 2026A sucessão de culturas é uma das bases da sustentabilidade dos sistemas produtivos no Brasil. Dentro desse contexto, a soja exerce papel fundamental quando antecede o plantio do milho, influenciando diretamente aspectos físicos, químicos e biológicos do solo, além da dinâmica de pragas e doenças. “A cultura da soja ajuda na fixação de nitrogênio para a cultura do milho, proporciona um ambiente de crescimento radicular mais favorável e contribui para a quebra do ciclo de doenças e pragas específicas do milho”, explica o supervisor do Departamento Técnico (Detec) da Cocari, Rodrigo Rombaldi.

Fixação de nitrogênio e ambiente radicular

A soja, por ser uma leguminosa, estabelece simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio, promovendo a fixação biológica desse nutriente no solo. Parte desse nitrogênio permanece disponível no sistema, beneficiando a cultura seguinte, o que reduz custos com adubação nitrogenada e aumenta a eficiência do sistema produtivo.

Além disso, o sistema radicular da soja favorece a formação de bioporos, melhorando a estrutura física do solo e proporcionando um ambiente mais favorável ao desenvolvimento radicular do milho. Isso se traduz em maior exploração do perfil do solo, melhor absorção de água e nutrientes e maior tolerância a períodos de estresse hídrico.

Quebra de ciclo de pragas e doenças

Outro benefício importante é a quebra do ciclo de doenças e pragas específicas do milho. A alternância entre culturas de famílias botânicas distintas reduz a pressão de patógenos e insetos-praga que se multiplicam quando há monocultivo contínuo, contribuindo para um sistema mais equilibrado e sustentável.

Avaliação da palhada e manejo no plantio

O manejo da palhada é um dos pontos-chave na sucessão soja-milho. Uma palhada bem formada traz diversos benefícios, como:

  • Mantém a umidade do solo;

  • Protege contra o impacto direto das chuvas;

  • Reduz a emergência de plantas daninhas;

  • Conserva a estrutura física do solo;

  • Minimiza processos erosivos.

No entanto, cuidados devem ser tomados no momento do plantio após a soja. “A umidade do solo e a qualidade da palhada ajudam a definir o mecanismo de abertura de sulco mais adequado, seja disco, seja guilhotina ou haste sulcadora”, esclarece Rodrigo Rombaldi, destacando que a escolha incorreta pode comprometer a deposição de sementes, o contato com o solo e a uniformidade de emergência do milho.

Atenção às pragas na palhada

Um ponto de atenção no sistema é a presença de pragas, especialmente percevejos, que costumam se abrigar na palhada da soja. Após a emergência do milho, esses insetos podem causar danos significativos às plântulas, reduzindo o estande e comprometendo o potencial produtivo. Por isso, um bom manejo na dessecação e monitoramento criterioso na fase inicial da cultura são fundamentais. O controle adequado nesse período evita perdas e garante melhor estabelecimento da lavoura.

Sustentabilidade do sistema produtivo

A sucessão soja-milho, quando bem manejada, fortalece a sustentabilidade do sistema produtivo. A manutenção da palhada, a melhoria da estrutura do solo, o aproveitamento do nitrogênio fixado biologicamente e a quebra de ciclos de pragas e doenças contribuem para:

  • Maior eficiência no uso de insumos;

  • Redução de custos;

  • Conservação do solo;

  • Estabilidade produtiva ao longo das safras.

Assim, a soja, que antecede o milho no calendário agrícola, exerce influência direta sobre o desempenho da cultura e sobre a longevidade do sistema produtivo como um todo. (Assessoria de Imprensa Cocari)

Conteúdos Relacionados