Zootecnista da Cocari orienta sobre nutrição de precisão e ajustes para enfrentar o estresse térmico

  • Artigos em destaque na home: Nenhum

cocariDurante o verão, com temperaturas frequentemente acima dos 30°C, o estresse térmico passa a ser um dos principais desafios nas propriedades pecuárias, especialmente na produção de leite. Segundo o zootecnista do Departamento Veterinário da Cocari (Devet), Maurício Kachinski, esse período exige atenção redobrada ao manejo e à nutrição dos animais.

“Quando falamos de dietas e manejo nutricional no verão, sempre tomamos alguns cuidados e levamos informações específicas para cada propriedade, porque tudo precisa ser muito personalizado”, explica.

Ajustes de manejo ajudam a reduzir o impacto do calor

O calor excessivo interfere diretamente no consumo de matéria seca e no desempenho produtivo das vacas. Para Maurício, uma das primeiras medidas é ajustar os horários de ordenha. “Muitos produtores conseguem alterar um pouco os horários, iniciando a ordenha mais cedo pela manhã e realizando a da tarde em períodos mais frescos, quando o sol já está se pondo. Isso reduz o impacto do calor e o deslocamento dos animais”, orienta.

O especialista também destaca a importância de recursos de conforto térmico. “O uso de ventiladores e aspersores nas áreas de alimentação ajuda muito na regulação da temperatura corporal das vacas e estimula o consumo de alimento”, afirma.

Dietas mais úmidas favorecem o consumo

No aspecto nutricional, Maurício ressalta a necessidade de ajustes na matéria seca da dieta. “No verão, eu sempre preconizo baixar um pouco a matéria seca total, deixando a dieta mais úmida. Para quem faz dois tratos ao dia, isso não traz risco de fermentação ou aquecimento da ração”, explica.

A recomendação é reduzir a matéria seca para cerca de 39% a 40%, com a adição de água no vagão misturador. “Em média, utilizamos cerca de 5 litros de água para deixar a dieta mais palatável e facilitar o consumo pelos animais”, complementa.

Gordura protegida e tamponantes são aliados

Outra ferramenta importante no enfrentamento do estresse térmico é a utilização de gordura protegida. “Ela é um aporte energético que não aumenta a produção de calor metabólico. Fica protegida no rúmen e só é disponibilizada após sua saída, ajudando a manter a energia da dieta”, explica Maurício. A inclusão pode

variar entre 100 e 200 gramas por animal ao dia, de acordo com cada sistema produtivo.

O uso de tamponantes também merece atenção especial no verão. “Aumentar as doses, entre 200 e 275 gramas por dia, ajuda a manter o pH do rúmen mais próximo da neutralidade, evitando distúrbios metabólicos e prejuízos ao produtor”, destaca.

Prevenção do LINA evita perdas

O zootecnista alerta ainda para o risco do LINA – Leite Instável Não Ácido, problema comum em períodos de calor. “A perda da estabilidade da caseína pode fazer com que o leite seja rejeitado no laticínio. Isso geralmente está relacionado à deficiência energética, baixo teor de amido, falta de tamponante ou excesso de calor”, explica.

Água e fibra de qualidade são essenciais

Além da dieta, o acesso à água precisa ser irrestrito. “O animal precisa ter água à vontade, sem competição, em vários pontos da propriedade, seja no barracão, seja no compost barn ou nos piquetes”, reforça Maurício.

A qualidade da fibra também influencia diretamente no conforto térmico. “Fibras passadas ou de baixa digestibilidade aumentam a produção de calor durante a ruminação. Por isso, indicamos fibras de alta digestibilidade, como silagem bem cortada, pré-secado ou azevém”, orienta.

Acompanhamento técnico faz toda a diferença

Por fim, o consultor destaca que qualquer ajuste deve ser feito com critério. “Essas mudanças precisam ser avaliadas com muita técnica e profissionalismo. Um nutricionista especializado deve acompanhar essas decisões para evitar problemas como acidose ou distúrbios metabólicos”, conclui.

Com orientação técnica da Cocari, o produtor pecuarista consegue reduzir os impactos do estresse térmico, preservar a saúde do rebanho e manter a produtividade, mesmo nos períodos mais quentes do ano. (Assessoria de Imprensa Cocari)

Conteúdos Relacionados