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Lideranças do agro do Paraná pedem R$ 670 bilhões para Plano Safra 2026/2027

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Em reunião na sede da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), em Curitiba, as entidades representativas do agronegócio paranaense entregaram, nesta quarta-feira (04/03), ao superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Almir Antonio Gnoatto, e à superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Leila Aubrift Klenk, a proposta do Paraná para o Plano Safra 2026/2027. O valor total reivindicado é de R$ 670 bilhões, dos quais R$ 486,3 bilhões seriam destinados ao crédito de custeio e comercialização e R$ 183,7 bilhões para investimentos. O montante solicitado é quase 13% superior ao que o Governo Federal disponibilizou para a safra 2025/2026. Além disso, as taxas de juros propostas são, em média, três pontos percentuais menores que as praticadas no último ciclo.

“Já é tradição, todos os anos nós nos reunimos e elaboramos uma proposta conjunta para o Plano Safra”, declarou o anfitrião da reunião, o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, referindo-se ao trabalho conjunto feito pelas entidades do agronegócio paranaense. Ricken observou que as margens hoje na agricultura são mínimas e que quem não tem produtividade não consegue sobreviver, destacando a importância de um bom Plano Safra.

De acordo com a proposta das lideranças paranaenses, do volume total de R$ 670 bilhões, R$ 95 bilhões seriam recursos destinados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 85 bi ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e o restante, R$ 490 bilhões, aos demais produtores. O documento foi assinado na reunião pelos dirigentes das entidades e entregue aos dois representantes do Governo Federal. O mesmo documento será encaminhado também ao líder da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion, e à presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), Tania Zanella.

Proposta conjunta

A proposta foi elaborada de forma conjunta a partir de “um amplo e consistente processo de levantamento de informações conduzido pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), pela Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Paraná (Fetaep), pela Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná - Iapar-Emater – (IDR-Paraná). A construção do material contou com a colaboração de sindicatos rurais, produtores, cooperativas e profissionais de assistência técnica e extensão rural, garantindo representatividade e profundidade às contribuições reunidas”, conforme destaca o documento. 

O analista da Gerência de Desenvolvimento Técnico do Sistema Ocepar, economista Salatiel Turra, fez a apresentação da proposta paranaense durante a reunião. Ele explicou que o pedido de juros menores para a safra 2026/2027 se sustenta pelo comportamento da taxa Selic. “A Selic deve encerrar 2026 em torno de 12,25% ao ano, com recuo para aproximadamente 10% em 2027. Embora o patamar atual continue elevado em termos históricos, observa-se que a taxa vem se posicionando em níveis inferiores aos registrados nos anos anteriores, o que contribui, ainda que de forma gradual, para a redução do custo de captação e, por consequência, sinaliza condições mais favoráveis para a diminuição das taxas de juros dos programas do Plano Safra”, destacou.

Juros

Enquanto na safra passada o juro do Pronaf variou entre 0,5% e 8% ao ano, esse ano a reivindicação é que fique entre 0,5% e 5%. Para o Pronamp, a proposta é a taxa de juro variar entre 7% e 9,5% ao ano. No ano passado, foi de 10%. E para os demais produtores e cooperativas, o pedido é que varie de 7,5% a 10%. No ciclo anterior foi de 14% ao ano.

O documento também traz contribuições específicas para as linhas de investimentos, propondo valores, limites e taxas de juros para programas como o Moderfrota, o Proirriga, o Renovagro e o Programa de Construção de Armazéns (PCA). E, também, propõe montante de recursos e limites para o Proagro e para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.  

Renegociação de dívidas

A proposta do Paraná inclui ainda um pedido específico sobre a renegociação de dívidas dos produtores afetados por adversidades climáticas. “É fundamental que o Governo implemente mecanismos de apoio aos produtores impactados por adversidades climáticas, com foco na readequação das dívidas e recomposição do capital de giro”, sinaliza o documento.

As medidas propostas são: prorrogar os financiamentos de custeio por 12 meses, mantendo integralmente as condições originalmente contratadas; renegociar as operações de investimento que não puderam ser liquidadas em função das perdas climáticas, postergando o vencimento para 12 meses após o prazo originalmente previsto; e instituir uma linha emergencial de recomposição de capital de giro para produtores afetados por eventos climáticos, vinculada ao crédito rural oficial, com condições favorecidas e prazo compatível com o ciclo produtivo.

Participações

O superintendente do Mapa, Almir Gnoatto, que esteve pela primeira vez na Ocepar, agradeceu o convite e disse que é muito válido para o ministério estar perto e ouvir as lideranças do setor. A superintendente do MDA, Leila Klenk, se colocou à disposição das entidades e destacou a importância do Plano Safra como política pública para o Brasil e, especialmente para o Paraná. Ambos se comprometeram a dar encaminhamento à proposta, em Brasília.

O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, agradeceu a parceria. “Neste período, foi possível estreitar o relacionamento com todas as entidades que representam a agricultura do Paraná”, declarou. O presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Alexandre Leal dos Santos, disse que o momento é muito importante e simboliza a união de forças para apresentar uma pauta conjunta da agricultura paranaense. Ele alertou para os problemas de endividamento do produtor. “Precisamos tentar negociar as dívidas para fortalecer a agricultura familiar”.  O diretor de Gestão de Negócios do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR/PR), Richard Golba, que representou o presidente do órgão, Natalino Souza, agradeceu a oportunidade de participar e destacou a capilaridade que tem o IDR no meio rural do Paraná. “A agricultura familiar enfrenta muitos desafios e esse plano é muito relevante”, frisou.

Ágide Eduardo Meneguette, presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), falou sobre o cenário atual que representa ameaçada ao agronegócio, com questões climáticas e os conflitos mundiais. “É importante trabalharmos fortemente, elaborando propostas conjuntas para acharmos as soluções. Por isso a importância desse documento”, pontuou. Ele também frisou a necessidade de se buscar a negociação de dívidas dos agricultores e avançar no seguro rural.

Política pública     

O Plano Safra é a principal política pública de financiamento ao setor agropecuário no Brasil. O plano estabelece o montante de recursos a ser disponibilizado para financiar todas as etapas do processo produtivo, incluindo preparo do solo, plantio, tratos culturais, colheita e comercialização. Define taxas de juros, limites de financiamentos e prazo para pagamento. E ainda inclui as regras para o seguro rural e os recursos destinados a investimentos, como estruturas de armazenagem e industrialização. Normalmente, é lançado no final de junho, com vigência para o período total da safra, que vai de 1º de junho de um ano até 30 de junho do ano seguinte. A expectativa é que o documento elaborado pelas entidades paranaenses seja considerado pelos ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) na consolidação do Plano Safra 2026/2027.  

Clique aqui e confira na íntegra o documento com as propostas do Paraná para o Plano Safra 2026/2027

FOTOS: Gisele Barão e Samuel Milléo Filho / Assessoria de Comunicação Sistema Ocepar

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